Banco Central Europeu restringe financiamento a bancos gregos

Yanis Varoufakis | Foto: Getty Direito de imagem Getty
Image caption Suspensão de financiamento a bancos gregos pode ser sinal de que reunião com ministro não foi bem

O Banco Central Europeu (BCE) endureceu sua postura em relação à dívida grega ao restringir o financiamento aos bancos do país.

Em comunicado, o BCE afirmou que não aceitaria mais títulos do governo grego como garantia para emprestar dinheiro a bancos comerciais.

Na prática, a decisão faz com que o acesso ao dinheiro fique mais caro para os bancos gregos.

Em resposta ao anúncio, o mercado de ações chegou a cair mais de 10% em Atenas, antes de uma leve recuperação - e acabou fechando em -3,37%

As ações dos bancos gregos, por sua vez, chegaram a cair até 16%.

Segundo o BCE, a decisão foi tomada porque havia incertezas sobre um acordo bem sucedido sobre o empréstimo de resgate de 240 bilhões de euros (R$ 750 bilhões) feito ao país.

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Resposta de mercados

Os mercados de ações da Itália e da Espanha também operavam em baixa de 1% na manhã desta quinta-feira.

Os juros dos títulos gregos subiram mais de dois pontos percentuais à medida que investidores exigiram maiores retornos devido à dívida do país.

Recém-eleito, o governo grego está em negociações com credores internacionais a respeito dos termos do seu pacote de resgate, que o país considera duros demais.

O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, afirmou que a decisão do BCE, que entrará em vigor no dia 11 de fevereiro, não teria nenhum "impacto adverso" na indústria financeira do país.

Varoufakis disse que o setor está "completamente protegido" e tem outras opções à sua disposição.

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'Faça um acordo'

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Image caption A economia grega encolheu 25% desde o início da crise na zona do euro

Os bancos ainda podem acessar fundos através do programa de Assistência de Liquidez Emergencial do banco central grego, com um custo muito mais alto para os bancos.

De acordo com o jornal grego Kathimerini, a taxa de juros cobrada pelo programa aos bancos é de 1,55%, comparada com 0.5% do financiamento normal do BCE.

Na quarta-feira, Varoufakis encontrou-se com o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, para discutir o resgate financeiro do país.

De acordo com analistas, a decisão do BCE é um sinal de que a reunião não foi bem.

"Isso é claramente o BCE dizendo ao governo grego: 'Você vai ter que falar com a troika (UE, FMI e BCE, principais credores internacionais da Grécia) e fazer um acordo. Senão coisas muito ruins acontecerão'", disse Jacob Kirkegaard, do Peterson Institute for International Economics à agência de notícias Associated Press.

Segundo Andrew Walker, o correspondente de economia do Serviço Mundial da BBC, o impacto direto da medida do Banco Central Europeu nos bancos gregos deve ser "relativamente moderado".

"Mas nos próximos meses, os bancos gregos podem ficar sob mais estresse. Quantias significativas de dinheiro já foram retiradas das contas e há possibilidade de que o acesso a fundos do banco central seja ainda mais restrito."

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