Egito diz que 'manterá bombardeios' contra 'EI' na Líbia

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Image caption Famílias dos egípcios sequestrados na Líbia fizeram um protesto em frente ao escritório da ONU no Cairo em janeiro

O Egito disse que manterá os ataques aéreos lançados nesta segunda-feira contra alvos do grupo autodenominado 'Estado Islâmico' na Líbia em represália à dacapitação de um grupo de cristãos egípcios.

Os bombardeios serão coordenados com o governo líbio reconhecido pela comunidade internacional. Um representante do governo egípcio disse que não há planos de enviar tropas por terra no momento.

Mais cedo nesta segunda-feira, o Egito divulgou imagens - colhidas por jatos militares - de mísseis atingindo alvos ligados a combatentes ligados ao 'Estado Islâmico' na Líbia.

O comandante da Força Aérea líbia Saqr Al-Jarooshi disse que suas forças também participaram dos bombardeios egípcios na cidade portuária de Derna.

O governo rival líbio, baseado em Trípoli, condenou os ataques.

Vídeo

Os bombardeios foram em resposta a um vídeo publicado na internet no fim de semana que, ao que tudo indica, mostra militantes do 'Estado Islâmico' executando 21 cristãos egípcios que tinham sido sequestrados pelo grupo na Líbia.

As imagens mostram um grupo usando macacões laranja. Eles são obrigados a se ajoelhar e os militantes se posicionam atrás deles.

Em seguida, eles são decapitados.

O presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sisi, convocou uma reunião de emergência do Conselho Nacional de Defesa do país para discutir uma resposta às mortes.

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Al-Sisi também decretou sete dias de luto nacional e o governo do país alertou as pessoas para suspender viagens para a Líbia. No entanto, muitos egípcios viajam para o país em busca de trabalho.

Aliança com o 'EI'

O vídeo foi postado na web por jihadistas líbios que juraram lealdade ao 'Estado Islâmico' (EI).

Combatentes do 'EI' têm realizado ataques na Líbia, país que vive uma situação instável, com dois governos paralelos e milhares de milícias operando em várias regiões.

Os trabalhadores egípcios foram sequestrados na cidade litorânea de Sirte, leste da Líbia, que está sob controle de grupos islâmicos.

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Na sexta-feira, o 'EI' divulgou imagens dos egípcios afirmando que eles tinham sido sequestrados para vingar o destino de mulheres muçulmanas "torturadas e assassinadas pela Igreja Copta do Egito".

As identidades dos homens mortos não foram confirmadas.

Estima-se que o número de coptas vivendo no Egito atualmente gire entre 9 a 15 milhões de pessoas - em meio a uma população total de 87 milhões de egípcios.

Caos e empregos

A Líbia tem dois governos adversários: um baseado em Trípoli e outro em Tobruk.

A cidade de Benghazi, no leste, centro da revolução de 2011 que tirou do poder Muamar Khadafi, está, em sua maior parte, nas mãos de combatentes islâmicos. Alguns deles têm ligação com a Al-Qaeda.

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Apesar desta situação caótica, muitos egípcios se dirigem ao país vizinho em busca de trabalho, mesmo com os alertas do governo.

No começo da semana, o presidente egípcio ofereceu transporte aéreo para retirar os cidadãos do país do território líbio.