Crise na Ucrânia: Bomba em manifestação deixa pelo menos dois mortos

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Image caption Bomba atingiu local onde centenas de ucranianos se reunirma para marcar 1 anos dos protestos

Uma bomba matou pelo menos duas pessoas, incluindo um policial, e deixou pelo menos outros 10 feridos em uma manifestação na cidade ucraniana de Kharkiv.

A marcha era uma das outras tantas que estão sendo realizadas no país para marcar um ano desde os grandes protestos de 2014 em Kiev que derrubaram o então presidente ucraniano pró-Rússia, Viktor Yanukovych.

Forças de segurança prenderam quatro pessoas suspeitas de terem orquestrado o ataque, segundo autoridades locais.

A explosão aconteceu às 13h20, horário local, conforme as pessoas iam se juntando perto do Palácio do Esporte na cidade para uma marcha de apoio à unidade nacional, segundo a mídia ucraniana.

Um promotor da região ouvido pela agência de notícias Reuters disse que o artefato explosivo aparentemente foi jogado de um carro.

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Ataque

Alexei Grechnev, uma testemunha que estava no local no momento da explosão, disse à BBC: "Nós estávamos andando em uma coluna de pessoas, em frente à seção, quando ouvi um barulho bem alto e vi algumas pessoas caindo no chão a alguns metros de mim. Algo totalmente inesperado tinha acontecido, uma cena surreal, como nos cinemas."

Uma foto, aparentemente tirada no local da explosão, mostra um corpo enrolado em uma bandeira ucraniana enquanto as ambulâncias se aproximam.

"Os serviços de segurança prenderam pessoas que podem estar envolvidas no ataque e no planejamento de outros crimes de natureza terrorista em Kharkiv", disse um porta-voz da polícia, Markian Lubkivskyi por meio de uma rede social.

Depois, ele confirmou que os quatro suspeitos presos eram cidadãos ucranianos que haviam recebido instruções e armas na cidade russa de Belgorod, do outro lado da fronteira.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko descreveu os ataques como "uma ousada tentativa de expandir o território do terrorismo" e prometeu justiça aos responsáveis.

Antes da explosão, Kharkiv, no nordeste da Ucrânia, já havia vivido dezenas de ataques nos últimos três meses, incluindo a explosão em um bar usado por ativistas pró-governo que deixou mais de 10 pessoas feridas em novembro.

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Image caption Marcha da dignidade: milhares foram às ruas em Kiev e outras partes do país

Análise: David Stern, BBC News Kiev

Um video filmado por um cinegrafista amador mostra uma marcha com algumas centenas de pessoas em uma das principais ruas de Kharkiv.

Em seguida, a explosão. A multidão corre, apavorada. Um homem cai no chão agonizando. Outro está morto na neve.

Houve outros ataques com bombas e explosões em Kharkiv nas últimas semanas, mas esse foi o mais fatal.

Rebeldes apoiados por Moscou têm ameaçado expandir seu território ali. Muitos temem que o conflito esteja se espalhando por essa cidade tão estratégica, a segunda maior da Ucrânia, a apenas meia hora de distância de carro da fronteira com a Rússia.

Clima sombrio

Enquanto isso, milhares de ucranianos participaram de "marchas da dignidade" na capital Kiev e em outras cidades, lembrando as vítimas dos protestos de fevereiro do ano passado.

Segundo David Stern, o clima estava pacífico, mas ainda sombrio.

Milhares de pessoas marcharam pela rota que incluía as principais zonas de batalha entre os manifestantes anti-governo e a tropa de choque, um ano atrás.

Mais de 100 pessoas morreram no que, até aquele momento, era o pior episódio de violência na história da Ucrânia independente.

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Cessar-fogo

Kharkiv é uma cidade fora da zona de conflito no leste da Ucrânia, onde um acordo de cessar-fogo assinado há duas semanas parece finalmente ter dado uma trégua na 'guerra' entre o exército ucraniano e os rebeldes.

O governo da Ucrânia concordou em começar a recolher as armas mais pesadas do local a partir deste domingo, e os rebeldes prometeram fazer o mesmo na terça-feira.

O recuo das duas partes no conflito não deverá ser concluído antes de 8 de março, cinco dias depois do deadline que foi acordado nas conversas de paz em Minsk no início do mês.

Outro elemento chave do acordo selado pelo cessar-fogo foi a liberação de 191 prisioneiros pelo exército ucraniano e também pelos rebeldes – algo que aconteceu neste sábado.

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Image caption Soldados libertados no último sábado, cumprindo o acordo de cessar-fogo

Segundo o correspondente da BBC em Donetsk, Paul Adams, esses dois fatores despertam uma certa esperança de que o acordo irá realmente funcionar, mas com tantas suspeitas e com tanta má fé dos dois lados, ainda não é possível garantir que o cessar-fogo irá durar.

Ainda assim, segundo o funcionário da OSCE, Alexander Hug, o cessar-fogo continua a ser violado, principalmente em Debaltseve, um importante centro de transporte que foi dominado pelos rebeldes nos últimos dias. Ele acrescentou que a situação humanitária está "relativamente catastrófica".

"A população local nos relata que eles não têm água, nem comida, nem gás, ou aquecimento, não têm eletricidade, nem medicamentos. E todos os prédios que os nossos monitores visitaram foram afetados pelo conflito", disse.