Líder da oposição na Rússia é morto a tiros

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Image caption Boris Nemtsov disse em entrevista recente temer por sua vida

Um dos principais líderes da oposição na Rússia, o ex-vice-premiê Boris Nemtsov, de 55 anos, foi morto a tiros em Moscou na noite desta sexta-feira, segundo autoridades do país.

Segundo a polícia, um atirador não identificado fez quatro disparos de dentro de um carro branco por volta das 23h40 do horário local (19h40 no horário de Brasília), quando Nemtsov cruzava uma ponte próxima ao Kremlin.

Ele foi morto horas depois de pedir apoio para o protesto marcado para domingo contra a guerra na Ucrânia.

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou o assassinato do poítico, disse o Kremlin.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama condenou o “assassinato brutal” e pediu que o governo russo conduza “uma investigação rápida, imparcial e transparente”.

Thorbjorn Jagland, secretário-geral do Conselho da Europa, também condenou o crime, dizendo que estava “chocado” e pedindo que os assassinos sejam levados à Justiça.

Flores e outras homenagens tomavam o local onde ele foi morto.

Voz da oposição

Boris Nemtsov foi um dos líderes das reformas econômicas realizadas na Rússia nos anos 1990.

Em uma entrevista recente, ele disse que temia ser morto por Putin em retaliação à sua oposição à guerra na Ucrânia.

Nemtsov exerceu o cargo de vice-primeiro-ministro quando Boris Yeltsin era presidente na década de 1990.

Ele tornou-se conhecido como promotor de reformas econômicas quando governou uma das maiores cidades russas, Nizhny Novgorod.

Por desavenças com Putin, que sucedeu Yeltsin, Nemtsov se tornou das principais vozes da oposição.

Último tuíte

Image caption Nemtsov foi baleado quando cruzava uma ponte próxima ao Kremlin

Em seu último tuíte, ele fez um apelo para que a oposição russa, hoje dividida, se unisse na marcha prevista para este domingo na capital do país.

"Se você apóia que a guerra da Rússia com a Ucrânia acabe, se você acabar com a agressão promovida por Putin, venha à Marcha da Primavera", ele escreveu.

No início do mês, ele disse em entrevista ao site de notícias Sobesednik que temia por sua vida.

"Tenho medo que Putin me mate", ele escreveu em um artigo publicado em 10 de fevereiro.

"Acredito que foi ele que deu início à guerra na Ucrânia. Não poderia detestá-lo mais."

Putin tem sido amplamente acusado de ajudar à rebeldes no leste da Ucrânia - algo que ele nega.

O governo ucraniano, líderes ocidentais e a Otan dizem haver evidências claras de que russos estão combatendo ao lado de rebeldes.

Especialistas independentes endossam a acusão, mas Moscou a refuta, insistindo que os russos envolvidos no combate estão lá como "voluntários".

Cerca de 5,8 mil pessoas foram mortas no conflito até agora e ao menos 1,25 milhão estão refugiadas, segundo a ONU.

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