Britânicos projetam lagoas artificiais geradoras de energia

  • Roger Harrabin
  • Repórter de meio ambiente da BBC

A Grã-Bretanha planeja gerar eletricidade a partir de lagoas artificiais que captam a força das marés - o primeiro projeto desse tipo no mundo.

As seis lagoas, quatro delas no País de Gales e duas nas regiões de Somerset e Cumbria (Inglaterra), vão captar as marés que atingem muros gigantes e usar o peso da água para gerar energia para turbinas.

O ministro britânico de Energia, Ed Davey, afirmou que o governo quer apoiar o projeto.

Os custos são altos, mas a empresa responsável pelo projeto diz que eles tendem a reduzir.

O projeto da lagoa de Swansea, no País de Gales, por exemplo, tem custo de 1 bilhão de libras (cerca de R$ 4,37 bilhões) e poderá gerar energia para 155 mil residências.

Segundo a companhia Tidal Lagoon Power, a série de seis lagoas pode gerar 8% da eletricidade usada na Grã-Bretanha, com um investimento de 30 bilhões de libras no total (cerca de R$ 131 bilhões).

Cada uma das lagoas do projeto deve exigir um grande projeto de engenharia. Em Swansea, por exemplo, a muralha de proteção para a nova lagoa deve se estender por mais de 8 quilômetros.

Quem paga

O custo do projeto deve ser pago pelos contribuintes britânicos, por meio de suas contas de energia elétrica, como parte de um programa do governo para promover a geração de energia na própria Grã-Bretanha com métodos menos poluentes.

Por enquanto, a Tidal Lagoon Power está negociando com o governo para saber o quanto poderá cobrar pela energia gerada pelas lagoas.

A companhia quer cobrar 168 libras (cerca de R$ 735) por MWh pela eletricidade gerada em Swansea, reduzindo o preço para entre 90 e 95 por MWh por uma segunda e mais eficiente lagoa em outra cidade do País de Gales, Cardiff.

"Ainda não posso tomar uma decisão a respeito porque as discussões ainda estão em curso. Mas estou muito animado pela perspectiva de tirar energia das marés", afirmou o ministro Ed Davey à BBC.

"Temos algumas das maiores amplitudades de maré do mundo e seria muito útil se pudéssemos usar parte desta energia limpa."

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As lagoas operam um sistema parecido com comportas para alterar o nível da água dos dois lados do muro construído no mar.

Quando a maré começa a subir, portões no muro são fechados e a água se acumula do lado de fora da lagoa.

Quando a maré está cheia do lado de fora da lagoa, os portões são abertos e a água entra, passando pelas turbinas, para encher a lagoa.

Quando a maré vira, os portões são fechados para manter a água dentro da lagoa.

Assim que a maré fica baixa do lado de fora do muro, os portões são abertos para gerar energia novamente enquanto a água flui da lagoa.

Esse esquema interessa às companhias geradoras de energia pois, ao contrário da energia solar e da energia eólica, é possível prever a mudança das marés.

As turbinas capturam energia de duas marés que entram e duas marés que saem da lagoa por dia e devem permanecer ativas por uma média de 14 horas diárias.

"Temos uma oportunidade maravilhosa de criar energia a partir da dança entre a Lua e a Terra. Admitimos que, no começo, é caro, mas, com o passar do tempo os custos serão cobertos e vai se transformar em algo incrivelmente barato", afirmou Mark Shorrock, presidente da companhia Tidal Lagoon Power.

Protestos

Um projeto anterior que previa o aproveitamento das marés de um rio britânico, o Severn, foi rejeitado depois de protestos de ambientalistas, que afirmavam que as lagoas iriam prejudicar o habitat de aves locais.

O projeto da lagoa em Swansea é mais aceito pois não obstrui estuários e permite que as marés fluam normalmente, apesar de atrasá-las por manter a água dentro da lagoa por algumas horas.

Gareth Clubb, diretor da organização Amigos da Terra Cymru, afirmou que o grupo é favor da lagoa em Swansea.

"Não é aprovação absoluta - queremos ter certeza de que o impacto ambiental pode ser gerenciado", disse. "Mas, se nos ajudar a fechar a usina de Aberthaw - uma das mais poluentes do mundo -, será bom."

Mas, os pescadores da região temem que o projeto tenha impacto na migração dos peixes em rios locais, que estão se recuperando da poluição.

Phil Jones, que pesca em um dos rios da região, afirmou que o projeto foi questionado de forma insuficiente.

"Somos contra qualquer plano para esta e outras lagoas na costa sul do País de Gales", afirmou.

A companhia responsável pelo projeto admite que alguns peixes migratórios vão acabar indo para as turbinas, mas estima que em número pequeno, e afirma que o novo muro no mar vai beneficiar os peixes criando um habitat de recifes.