Atiradores entram em museu na Tunísia e matam 17 turistas

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Image caption Homens estão mantendo reféns no museu, após atirarem e matarem oito pessoas

Atiradores invadiram nesta quarta-feira um museu na capital da Tunísia e mataram pelo menos 19 pessoas, a maioria delas turistas.

Entre os estrangeiros que visitavam o Museu Nacional do Bardo, o mais importante do país, havia italianos, espanhóis e alemães. Dois colombianos também estão entre as vítimas fatais. Segundo um porta-voz do governo, pelo menos cinco pessoas estariam feridas.

Em nota enviada à BBC Brasil, o Itamaraty informou que não há brasileiros entre os mortos e feridos que portavam documentos. A informação havia sido inicialmente divulgada pela imprensa internacional.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, um encarregado de negócios da embaixada brasileira em Túnis visitou o hospital para onde as vítimas foram levadas. No entanto, ainda há corpos sem identificação.

"O Encarregado de Negócios também esteve no porto de Túnis para verificar se haveria brasileiros, nos cruzeiros atracados, que não teriam retornado hoje. Não há brasileiros ausentes nos dois cruzeiros de onde procedem as vítimas estrangeiras identificadas", informou o comunicado.

"A Embaixada do Brasil em Túnis mantém contato com as autoridades locais e com o hospital para ser imediatamente notificada de qualquer fato novo", acrescentou.

Os atiradores mantiveram vários turistas europeus como reféns no local. Um policial, uma profissional da limpeza e dois atiradores acabaram morrendo na operação da Polícia para prender os responsáveis pelo ataque ─ totalizando 21 mortos ─, mas as autoridades disseram que outros atiradores do grupo podem ter escapado.

Os tiros foram disparados no Museu Nacional do Bardo, que fica ao lado do prédio do Parlamento, no centro da capital Túnis. De acordo com um porta-voz do governo, a maioria dos turistas já foi evacuada do local. Muitos deles, mais velhos, corriam desesperados para longe do local, e alguns deles carregavam crianças.

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Image caption Ataque aconteceu no Museu Bardo, uma grande atração turística da Tunísia pela coleção de antiguidades romanas e gregas

Segundo a TV estatal da Tunísia, dois homens armados entraram de carro no prédio do Parlamento e abriram fogo contra as pessoas. Um deles estaria no telhado do edifício. Forças de segurança cercam o local.

No momento do ataque, os parlamentares estavam discutindo um novo pacote de leis antiterrorismo. Depois do incidente, o Parlamento foi evacuado.

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O museu, construído em um palácio do século XV, é o maior do país e abriga uma famosa coleções de antiguidades - ele é considerado uma das maiores atrações turística da Tunísia.

Esse ataque foi o primeiro em uma área turística em anos na Tunísia. As preocupações com segurança no país aumentaram recentemente, principalmente por causa da instabilidade no país vizinho Líbia.

Muitos tunisianos também deixaram o país para lutar na Síria e no Iraque, provocando temores de que eles poderia voltar e se envolver em ataques extremistas no país.

Algumas horas depois do ataque, o governo brasileiro se manifestou por meio de nota enviada pelo Ministério das Relações Exteriores. Veja:

O Governo brasileiro condena com veemência o covarde atentado perpetrado hoje no Museu do Bardo, em Túnis, que resultou na morte de cidadãos tunisianos e de outras nacionalidades e em dezenas de feridos.

A Tunísia leva adiante um admirável processo de transição democrática, abrangente e inclusivo, que tem merecido o apoio do Brasil e da comunidade internacional como um todo. O país abrigará no próximo fim de semana o Fórum Social Mundial, evento no qual está prevista a participação de expressiva delegação brasileira.

Neste momento de luto e tristeza, o Governo brasileiro estende ao povo e ao Governo da Tunísia, assim como às famílias das vítimas de diferentes nacionalidades, sua solidariedade.

O Governo brasileiro reitera seu absoluto repúdio a atos de terrorismo e ataques contra civis inocentes, praticados sob qualquer pretexto.