Ex-namorada conta que copiloto previa notoriedade, diz 'Bild'

A casa dos pais de Andreas Lubitz (AP) Direito de imagem AP
Image caption Autoridades ainda investigam a vida do copiloto Andreas Lubitz

O copiloto do avião da Germanwings que, segundo promotores, teria jogado o Airbus deliberadamente contra uma montanha dos Alpes franceses e matado 150 pessoas, teria afirmando que "um dia todos vão saber meu nome", segundo uma declaração da ex-namorada ao jornal alemão Bild.

Durante a entrevista a mulher, identificada apenas como Maria W., se lembrou de uma conversa que teve no ano passado com Andreas Lubitz.

"Um dia vou fazer algo que vai mudar todo o sistema, todos vão saber meu nome e se lembrar", teria dito o copiloto à Maria.

A mulher, uma comissária de bordo de 26 anos que trabalhou nas mesmas aeronaves que Lubitz durante cinco meses em 2014, afirmou que ficou "muito chocada" quando ficou sabendo da notícia. O voo 4U 9525 caiu na terça-feira.

Maria ainda disse ao Bild que, se Lubitz realmente atirou o avião deliberadamente contra a montanha, "é porque ele compreendeu que, por causa de seus problemas de saúde, o grande sonho de um emprego na Lufthansa, como capitão e piloto de voos de longa distância, tinha se transformado em algo praticamente impossível".

As gravações de uma das caixas-pretas do Airbus indicam que Lubitz trancou o capitão fora da cabine durante o voo na manhã de terça-feira e desceu com o avião até se chocar contra uma montanha.

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Promotores alemães informaram que encontraram documentos médicos na casa de Lubitz, sugerindo que ele já tinha uma doença, e provas de um tratamento médico. Eles encontraram atestados rasgados, um deles para o dia da queda do avião.

Eles afirmam que Lubitz parece ter escondido a doença da empresa onde trabalhava.

Separação

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Image caption Acidente com o voo da Germanwings é destaque na imprensa alemã

A ex-namorada do copiloto disse ao Bild que eles se separaram "pois ficou cada vez mais claro que ele tinha um problema".

Maria W. afirmou que Lubitz tinha muitos pesadelos e, às vezes, acordava gritando "estamos caindo".

Um membro da escola de aviação onde Lubitz fez aulas disse à BBC que o copiloto conhecia a área dos Alpes franceses onde o avião caiu, pois costumava visitar o local durante as férias.

Um jornal francês, o Metro News, relatou que Lubitz tinha passado as férias com os pais em um clube de aviação nas proximidades do local do acidente.

Um hospital da cidade alemã de Dusseldorf confirmou que Lubitz foi um dos pacientes recentemente, mas negou informações da imprensa de que ele se tratou devido a um caso de depressão.

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A teoria de que uma doença mental como depressão afetou o copiloto foi sugerida pela imprensa alemã, a partir de documentos internos da autoridade de aviação.

Segundo estes documentos, Lubitz dinha sofrido um episódio grave de depressão durante o treinamento em 2009.

Ele teria recebido então um tratamento que durou um ano e meio e a recomendação de avaliações psicológicas regulares.

Mas, a Lufthansa insistiu que Lubitz apenas recebeu a permissão para voltar ao treinamento para pilotar um avião depois que foi estabelecido que ele estava em um estado de saúde adequado.

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A polícia francesa afirmou que a busca pelos restos dos passageiros e os destroços do avião nas montanhas poderá levar outras duas semanas.