Eleições britânicas: quem lidera os principais partidos?

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Image caption Pleito desta quinta colocará em disputa 650 cadeiras do Parlamento (acima)

O Reino Unido vai às urnas nesta quinta-feira em uma das eleições mais disputadas de sua história recente.

O pleito vai decidir entre a permanência do atual primeiro-ministro - David Cameron - no cargo ou pela escolha de um novo premiê.

Estão em jogo as 650 cadeiras do Parlamento britânico, disputadas pelo sistema de voto distrital (vencem os candidatos com mais votos em cada um dos 650 distritos).

Pesquisas de opinião apontam que nem o partido de Cameron - o Conservador - nem seu principal rival, o Trabalhista, conseguirão assentos o suficiente para formar uma maioria, o que deve forçar a formação de uma coalizão. Isso aumenta o poder dos partidos menores, alvo de grande atenção no pleito de quinta.

A BBC Brasil apresenta a seguir os líderes dos cinco principais partidos na disputa. Quem obtiver o maior número de cadeiras e conseguir formar uma coalizão pode se tornar o futuro ocupante da icônica casa número 10 de Downing Street.

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David Cameron - Partido Conservador

O atual premiê, candidato a um segundo mandato, devolveu o poder aos conservadores na eleição de 2010, após 13 anos na oposição, e ainda mantém bons índices de aprovação - ainda que dificilmente seu partido conseguirá uma maioria clara no pleito deste ano.

Cameron se tornou premiê britânico aos 43 anos de idade, o mais jovem a ocupar o cargo desde 1812.

Entre os seus legados estão a legalização do casamento gay, um pedido de desculpas pelo Domingo Sangrento ("Bloody Sunday", a repressão brutal do Exército britânico a uma manifestação pacífica de católicos e nacionalistas na Irlanda do Norte em 1972) e o bloqueio aéreo que levou à queda do regime na Líbia.

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Image caption David Cameron tenta um segundo mandato como premiê

No terreno econômico, os conservadores governaram durante o período de recuperação da economia britânica – embora muitos economistas argumentem que o repique não tenha nenhuma relação com as políticas conservadoras, focadas em medidas de austeridade.

De origem privilegiada (foi educado em um colégio privado símbolo da elite britânica), ele projetou uma imagem modernizadora ao se lançar à liderança de seu partido. Na campanha de 2010, prometeu priorizar o NHS (sistema de saúde pública que inspirou o SUS brasileiro), mas já no poder foi acusado de promover uma "privatização pela porta dos fundos" do sistema.

Leia o perfil completo de David Cameron

Ed Miliband - Partido Trabalhista

O líder da oposição britânica tenta colocar o trabalhismo de volta ao poder no Reino Unido.

Filho de um sociólogo marxista, Miliband é detentor de credenciais acadêmicas prestigiosas (estudou Filosofia, Política e Economia na Universidade de Oxford e tem um mestrado em Economia pela London School of Economics). Ele assumiu a liderança do partido após uma disputa contra seu próprio irmão, David, em 2010.

O partido tenta equilibrar a agenda conservadora de reduzir o déficit fiscal do país – política iniciada no governo atual após o início da crise econômica – com sua plataforma tradicional de governar para os trabalhadores e para a parte mais vulnerável da sociedade britânica.

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Image caption Miliband é a aposta dos trabalhistas para recuperar o poder

No centro dessa estratégia, Miliband é o rosto que tenta combater a imagem de gastador que persegue o Partido Trabalhista, ainda que entre as principais promessas da legenda estejam mais investimentos no sistema de saúde e em moradias sociais.

Sua plataforma combina a promessa de elevar o salário mínimo com um discurso de controle da imigração, dirigindo-se aos trabalhadores britânicos que se queixam da concorrência de mão de obra estrangeira.

Leia o perfil completo de Ed Miliband

Nicola Sturgeon - Partido Nacionalista Escocês (SNP)

A líder do SNP se aproveita da onda de popularidade de seu partido, que viu seu apoio crescer mesmo após ser derrotado no plebiscito pela independência da Escócia, em setembro do ano passado.

Seu bom desempenho nos debates midiáticos é praticamente garantido; correligionários aplaudem suas aparições em comícios como fãs aplaudem uma estrela de rock.

Esse fervor parece ter se traduzido em intenções de voto: as pesquisas indicam que o SNP deve vencer em cerca de 50 dos 59 distritos eleitorais que constituem a Escócia, elegendo um número de parlamentares que lhe transformará possivelmente na terceira maior força no Parlamento em Westminster.

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Image caption Sturgeon surfa na onda de popularidade do nacionalismo escocês

É um momento de ouro para Sturgeon. Ela avançou para o primeiro plano da causa escocesa após oito anos à sombra de Alex Salmond, chefe do Executivo local e líder de longa data dos independentistas escoceses. Ele renunciou à sua função e passou o bastão à vice após a derrota no plebiscito.

Leia o perfil completo de Nicola Sturgeon

Nick Clegg - Partido Liberal Democrata

Clegg se tornou vice-premiê britânico nas eleições de 2010, quando o seu partido formou uma coalizão com os conservadores de Cameron. Mas concessões feitas para a formação desse governo levaram a uma forte queda de popularidade dos liberais-democratas desde então, segundo pesquisas de opinião.

O próprio Clegg, eleito pelo distrito de Sheffield Hallam, no norte da Inglaterra, corre o risco de perder seu assento e o cargo de vice-premiê.

Durante a campanha de 2010, o partido havia prometido barrar o aumento das anuidades de universidades. Mas uma vez no governo, abriu mão da promessa e apoiou a elevação do teto do valor para 9 mil libras por ano (cerca de R$ 41 mil) defendido pelos conservadores.

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Image caption Clegg se alçou a vice-premiê em 2010, mas seu partido tem perdido espaço

O partido também já apoia um referendo sobre a permanência ou não do Reino Unido na União Europeia – bandeira de nacionalistas acatada pelo governo de David Cameron –, apesar de enfatizar que continua fiel à sua plataforma histórica pró-integração regional.

Mesmo com as mudanças de posição, Clegg insiste que os liberais-democratas ainda são para o eleitor uma opção "diferente" dos dois principais partidos britânicos - o Conservador e o Trabalhista.

Leia o perfil completo de Nick Clegg

Nigel Farage - Partido da Independência do Reino Unido (UKIP)

Farage ganhou força na política britânica mesmo sem nunca ter sido membro da Câmara dos Comuns, sustentando-se em um discurso furiosamente anti-imigrante e antieuropeu e na imagem de "homem do povo", que continua vivendo no mesmo vilarejo onde nasceu e que frequenta o mesmo pub há décadas.

Ele fez carreira e fortuna no mercado financeiro de Londres. Sempre com uma caneca de cerveja ou um cigarro nas mãos, ou com ambos, ele ataca os adversários, que, em sua opinião, estão "desconectados" da realidade do povo.

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Image caption Farage e seu UKIP são fortes defensores da política anti-imigrantes

Pesquisas de intenção de voto mostram que seu partido tirou eleitores dos tradicionais Conservadores, já que seu discurso tem maior ressonância entre os defensores da saída do Reino Unido da União Europeia.

Boa parte dos analistas assinala que o UKIP pode abocanhar cadeiras importantes no Parlamento britânico a ponto de participar do jogo de poder entre conservadores e trabalhistas, se esses partidos não receberem votos suficientes para formar um governo.

Seus críticos, no entanto, o chamam de racista - o que ele nega - e destacam contradições em seus discursos: Farage é deputado do Parlamento Europeu, uma instituição que menospreza e que, segundo já afirmou, desmantelaria se pudesse. É justamente ali onde seu partido tem a maior presença.

Leia o perfil completo de Nigel Farage

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