Candidatos 'bizarros' roubam a cena em eleição presidencial na Polônia

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Image caption Janusz Korwin-Mikke defende que Polônia abandone democracia em favor da monarquia

A Polônia vai às urnas neste domingo escolher o novo presidente do país, mas entre os candidatos há algumas opções pouco convencionais.

Segundo as pesquisas de boca de urna, o atual presidente, Bronislaw Komorowski, lidera a corrida presidencial e deve ser reeleito. Seu principal rival na disputa é o candidato da oposição, Andrzej Duda.

No entanto, se nenhum candidato obtiver mais do que 50% dos votos válidos, haverá um segundo turno, previsto para ocorrer no próximo dia 24 de maio.

Mas quem roubou a cena até agora não foi nenhum dos dois.

Famoso antes mesmo do início da campanha presidencial, Janusz Palikot é um dos que ganhou os holofotes da mídia.

Em 2008, ele apareceu em uma entrevista de TV com uma cabeça de porco ainda sangrando em mãos. Na ocasião, Palikot descreveu o ato como uma crítica à máfia existente na Confederação Polonesa de Futebol, acusada por ele de corrupção.

Em outro momento, ele apareceu em público munido de um brinquedo erótico e uma arma, para protestar contra um suposto estupro cometido por um policial. Palikot não deve ganhar as eleições, mas sua popularidade entre os eleitores está em torno de 2%, segundo as últimas pesquisas de intenção de voto.

Uma opção mais popular, no entanto, é o ex-cantor de rock Pawel Kukiz. O músico, de 52 anos, diz que sua ambição pela presidência não é "uma ideia rock-and-roll" ou uma brincadeira.

"Eu sou guiado por grandes ideias", diz ele.

As mesmas pesquisas colocam Kukiz, que se descreve como um "direitista com um coração de esquerda" em terceiro lugar na preferência do eleitorado, com 9% das intenções de voto.

Há também Janusz Korwin-Mikke. O candidato eurocéptico da extrema direita já está em sua quinta tentativa de chegar à presidência da Polônia – ele participou de todas as eleições presidenciais desde 1995.

No ano passado, Korwin-Mikke foi duramente criticado pelos colegas por suas declarações racistas no Parlamento Europeu. Em outra ocasião, um parlamentar o acusou de agressão.

Apesar de sua aparente vontade de se tornar presidente, Korwin-Mikke já expressou seu desejo de que a Polônia abandone a democracia em favor da monarquia.

Corrida presidencial

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Image caption Janusz Palikot acendeu incenso de maconha no Parlamento da Polônia em campanha para legalizar erva

Apesar dos candidatos bizarros, pesquisas confirmam o favoritismo do atual presidente, Bronislaw Komorowski, que assumiu o posto cinco anos atrás quando seu antecessor, Lech Kaczynski, morreu em um acidente aéreo.

O presidente polonês tem poderes limitados, mas é chefe das Forças Armadas e pode vetar novas leis.

Komorowski, de 62 anos, é um aliado independente do partido de centro-direita Plataforma Civil, que está no governo desde 2007.

Seu maior adversário na disputa é Andrzej Duda, do partido oposicionista de direita Lei e Justiça, que é liderado pelo irmão gêmeo do ex-presidente Kaczynski, Jaroslaw.

Em meio a um período de tensão com a Rússia sobre o conflito na Ucrânia, Komorowski diz que quer promover a estabilidade.

"Os poloneses precisam de normalidade, paz, segurança e ordem", disse ele no último dia de campanha, na sexta-feira.

"Espero que a harmonia e a segurança vençam".

A escolha do novo presidente polonês ocorre antes das eleições parlamentares, que devem dar vitória ao partido governista, Plataforma Civil.