A 'super-Mercedes' que nunca vingou

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Image caption Exposição no museu da Mercedes em Stuttgart conta história do C 111

Com seu sucesso na Fórmula 1, uma frota de estreantes na Deutsche Tourenwagen Masters (DTM) e uma grande quantidade de vigorosos modelos AMG de alta performance, a Mercedes-Benz goza de uma sólida imagem esportiva. Mas até 15 de novembro de 2015, o museu da empresa em Stuttgart, na Alemanha, vai revisitar a época em que uma série de carros experimentais abalou as estruturas da montadora.

A Mercedes revelou o carro-conceito C 111 em 1969, no salão do automóvel de Frankfurt. O modelo exibia as linhas escorregadias do designer Bruno Sacco, com uma vibrante pintura laranja (oficialmente chamada de cor "vinho rosé"), uma estrutura de fibra de vidro, portas de asa de gaivota e um motor Wankel tri-rotor com 280 cavalos de potência.

Naquela época, os motores rotativos Wankel era considerados as usinas do futuro, e a Mercedes queria ter uma plataforma adequadamente exótica para testar o novo motor.

O carro foi rapidamente substituído pelo C 111-II no Salão de Genebra de 1970 – uma versão propulsionada por um motor Wankel de quatro rotores e 350 cavalos que fazia o modelo disparar a 100 km/h em 4,8 segundos, e chegar a uma velocidade máxima de 300 km/h.

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Recordista de velocidade

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Image caption Modelo foi projetado por Bruno Sacco, considerados um dos maiores desenhistas de carros do mundo
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Image caption Modelo ganhou várias versões, a gasolina e a diesel, e bateu recorde de velocidade

Enquanto o design do C 111 era uma rejeição dramática à moda de conceitos superestilizados, sua chamativa cor laranja era comum para os carros de teste da Mercedes na época.

Mas os tempos mudam, e a alta nos preços do petróleo no início dos anos 70 acabou fazendo o C 111 ser novamente revisado. O C 111 II-D surgiu com um motor a diesel que produzia 190 cavalos de potência.

Com o C 111-III, a Mercedes abriu mão do laranja para adotar os tons tradicionais dos carros de corrida Silver Arrow. Com um motor turbodiesel de 230 cavalos, o carro ganhou as pistas de Nardo, na Itália, e marcou recordes mundiais de velocidade.

A versão final, o C 111 IV marcou o início da era de desempenho mais radical do modelo. Um verdadeiro supercarro, o IV era equipado com estabilizadores verticais duplos e um motor V8 4.8 litros a gasolina com 500 cavalos, bom o suficiente para ajudar o carro a atingir o recorde de 403,978 km; em um circuito fechado, em 1979 – dez anos depois do lançamento do primeiro C 111.

Hoje, a família C 111 foi retirada dos fundos dos armazéns da Mercedes e trazida para ter seu legado conhecido pelo público.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Autos.