Conheça 10 unicórnios de verdade

A natureza pode não ter um cavalo branco com chifre em espiral e poderes mágicos, mas alguns animais fascinam biólogos por serem raros e viram objetos de programas ecológicos.

Conheça dez deles:

Rinoceronte-indiano

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Chegando a até quatro metros de comprimento, o rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) é o maior dentre as três espécies de rinocerontes da Ásia.

O rinoceronte-indiano apresenta apenas um chifre, feito de queratina, a mesma proteína fibrosa que compõe nossos cabelos e unhas. A estrutura pode atingir até um metro de comprimento, o que faz do animal um dos maiores alvos de caçadores ilegais da História.

Segundo a International Rhino Foundation, existe uma percepção enganosa de que a medicina tradicional chinesa usaria o pó de chifre deste rinoceronte para curar problemas de impotência, quando na verdade se tratava de uma prática para cuidar de febres e convulsões.

A caçada e o comércio de chifres no mercado negro quase extinguiu os rinocerontes-indianos no século 20, com a população selvagem chegando a menos de 200 animais.

Hoje, graças a rígidas leis de conservação, o número de espécimes já passa de 3 mil – e 70% deles vivem em um só parque nacional.

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Saola

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Se você associa os unicórnios a serem enigmáticos e fugidios, o saola (Pseudoryx nghetinhensis) poderia facilmente se enquadrar nessa descrição.

Trata-se de um bovino que foi descoberto apenas em 1992 perto da fronteira do Vietnã com o Laos, quando cientistas encontraram crânios muito peculiares nas casas dos caçadores locais.

Em vietnamita, seu nome significa "chifre em carretel", em referência ao par de cornos paralelos e retos que podem chegar a até 50 centímetros de comprimento.

O saola recebeu o apelido de "unicórnio asiático" por causa de sua raridade: nunca um cientista avistou pessoalmente o animal, e até este mês de maio, a espécie só foi registrada na natureza quatro vezes por câmeras ocultas.

Por isso, os biólogos podem apenas fazer uma estimativa da população total desses animais, através das fotos, da análise genética de seu esterco e de conversas com os habitantes das remotas montanhas Annamite. Os especialistas acreditam que existam menos de 100 espécimes de saolas com vida, ameaçados pela caça e pela destruição de seu habitat.

Narval

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Nas lendas com unicórnios sempre se destaca os poderes mágicos de seu chifre. Na natureza, o narval (Monodon monoceros) é provavelmente a criatura mais mágica, por causa de seus incríveis poderes sensoriais.

A presa do Narval pode crescer até atingir 2,6 metros de comprimento, praticamente metade do tamanho de seu corpo. Não se trata de um chifre, mas sim de um dente canino superdesenvolvido que faz uma espiral no sentido anti-horário para fora do lado esquerdo da boca do animal.

Os cientistas não sabem exatamente qual a utilidade dessa presa. Alguns suspeitam que ela sirva como um picador de gelo, ajudando o narval a se deslocar pelas águas geladas do Ártico, ou como uma sonda acústica ou ainda como uma lança em duelos por parceiras.

Esses longos dentes são mais comuns entre os machos, e os mais compridos indicam os espécimes mais saudáveis, o que faz biólogos acreditarem que eles têm uma função sexual.

Em 2014, cientistas puderam fazer uma análise completa dessa presa e descobriram que ela não contém um esmalte. Na realidade, a água passa através do dente até os terminais nervosos para permitir ao narval perceber diferenças na temperatura e na salinidade do mar.

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Unicórnio-de-nariz-curto

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Unicórnios também podem ser encontrados em águas mornas, na forma de peixes coloridos e tropicais conhecidos como peixes-unicórnio (pertencentes ao gênero Naso).

Metade das espécies desse gênero tem uma saliência na cabeça que se parece com um chifre de unicórnio.

O chifre se desenvolve com a idade, fazendo os peixes mudarem seus hábitos alimentares. Os mais jovens comem algas no leito do mar, enquanto adultos de certas espécies passam a se alimentar de zooplâncton ou de fezes de outros peixes.

Uma das maiores espécies é o unicórnio-de-nariz-curto (Naso unicornis), que pode chegar a medir 60 centímetros de comprimento e apresentar um chifre de até seis centímetros.

Esse peixe tem uma cor verde-oliva clara, com duas lâminas azuis que sustentam espinhas com um aspecto de faca no ponto em que a cauda se une ao corpo. Essas espinhas são usadas para defesa.

Os biólogos, no entanto, ainda não conseguiram explicar o porquê do tamanho do chifre.

Louva-a-deus-unicórnio-do-Texas

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Várias espécies de louva-a-deus recebem o nome de "unicórnio". Isso se refere a uma protuberância em forma de chifre que cresce entre suas antenas.

O chifre, na realidade, é composto por duas partes que crescem lado a lado, mas que não se unem.

Entre as espécies mais conhecidas está a louva-a-deus unicórnio do Texas (Phyllovates chlorophaea), que vive na fronteira entre os Estados Unidos e o México e pode crescer até 7,5 centímetros.

Ela pertence à família Mantidae, chamada de louva-a-deus porque dobra seus membros anteriores como se estivesse rezando.

A espécie do Texas é uma caçadora que monta armadilhas para suas presas, em geral traças e gafanhotos. Seu corpo tem uma cor cinza-amarronzada ideal para a camuflagem.

Ao capturar sua presa com as pernas, a louva-a-deus a fatia com suas mandíbulas.

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Ocapi

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Nas lendas, os unicórnios são uma espécie de mistura de características de outros animais: têm um corpo de cavalo branco, patas e barbicha de bode, rabo de leão e um chifre alongado.

Na natureza, apenas um animal reúne tantos aspectos diferentes: o ocapi (Okapia johnstoni). Ele tem o corpo de um cavalo marrom, pernas listradas como as da zebra, grandes orelhas como uma vaca, um pescoço relativamente comprido e um par de chifres de até 15 centímetros, entre os machos.

Não à toa, os primeiros exploradores a percorrerem a região do Congo chamaram o ocapi de "unicórnio africano" ao se depararem com o animal.

Mas é seu pescoço que revela sua verdadeira linhagem: trata-se do parente mais próximo da girafa. No entanto, enquanto esta vive nas planícies, onde podem se alimentar de folhas altas, o ocapi mora nas florestas tropicais, onde é mais fácil encontrar comida.

Por isso, eles são mais baixos que suas primas e chegam a uma altura de 1,7 metros do chão aos ombros.

Suas listras o ajudam a se disfarçar bem na floresta e, por isso, o animal permaneceu desconhecido até a virada do século 20, muito depois que outros mamíferos da África foram encontrados e estudados.

Apesar de ser uma espécie protegida desde 1933, o ocapi ainda é caçado por causa de sua carne e sofre a ameaça da perda de seu habitat.

Aranha 'Unicorn'

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Aranhas do gênero Unicorn são chamadas assim por causa de uma protrusão pontiaguda entre os olhos e as mandíbulas dos machos, conhecida como chifre clípeo.

Para avistá-lo, é necessário um microscópio: essas aranhas são extremamente pequenas, chegando a um tamanho máximo de apenas três milímetros.

Elas vivem em áreas secas localizadas de mil a quatro mil metros acima do nível do mar no Chile, na Argentina e na Bolívia.

Provavelmente por causa de seu tamanho, foram identificadas apenas nos anos 90 e ainda estão sendo estudadas.

Essas aranhas pertencem a uma família chamada Oonopidae, conhecida como "aranhas-duendes".

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Pauxi pauxi

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Puristas poderão argumentar que qualquer unicórnio que se preze precisa saber voar, mas eles jamais poderiam imaginar um pássaro-unicórnio.

O pauxi pauxi é uma ave negra do tamanho de um peru que vive nas densas florestas da América do Sul.

Cada animal exibe um chifre ornamental de cor azul-clara em sua testa, e que pode atingir até seis centímetros.

O animal fotografado acima vive na Colômbia, enquanto espécies parentes se espalham pelo centro da Bolívia e pelas montanhas Sira, no Peru.

"Esse tipo de ave é uma das espécies mais ameaçadas do planeta, por causa da caça e do desmatamento na base dos Andes, seu habitat natural", afirma Ross MacLeod, da Universidade de Glasgow, na Grã-Bretanha.

'Camarão-unicórnio'

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O nome científico deste crustáceo, Plesionika narval, é um reconhecimento ao outro unicórnio do mar, o narval, citado acima. Mas enquanto o mamífero vive apenas no Ártico, o camarão se espalha mais pelo mundo, sendo encontrado desde a costa de Angola até o Mar Mediterrâneo, além da Polinésia Francesa.

Seu habitat natural são as águas frias e ele pode ser visto a uma profundidade de até 910 metros, onde se alimenta no leito do mar.

Ele recebe o nome de unicórnio por causa de uma espécie de "bico" alongado em forma de chifre, coberto por minúsculos dentes, que cresce entre suas duas antenas.

Na ilha grega de Rodes, este camarão é considerado um prato refinado, mas a queda no número de espécimes na região do mar Egeu obrigou as autoridades a lançar um programa de pesca sustentável.

Órix-da-Arábia

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O órix-da-Arábia (Oryx lucoryx) tem tantas características semelhantes às de um unicórnio que foi até descrito como um "protótipo" da mística criatura.

O antílope tem, na realidade, dois chifres, que podem chegar a medir 75 centímetros.

Seu corpo é branco, mas seu rabo é escuro e em forma de tufo. Como outros antílopes, tem o casco fendido.

Mas sua característica mais extraordinária é sua capacidade de detectar a chuva e se deslocar até ela, o que, para os viajantes dos desertos do Oriente Médio, parecia um poder mágico.

Assim como a maioria dos seres semelhantes aos unicórnios, o órix também sofreu com a caça predatória e chegou a ser declarado extinto nos anos 1970. Mas, graças a um programa bem-sucedido de reprodução em cativeiro, a espécie foi reintroduzida em países como Omã, Israel e Jordânia. Hoje, se estima que mais de mil deles esteja vivendo na natureza.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.