O rival de Blatter e suas chances na eleição da Fifa

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Image caption Com o apoio dos europeus, o príncipe da Jordânia é o único que pode atrapalhar os planos de reeleição de Blatter

O príncipe da Jordânia Ali Bin Al-Hussein é o único rival do poderoso presidente da Fifa, Sepp Blatter, que busca se reeleger para um quinto mandato em votação nesta sexta-feira.

Aos 39 anos, o príncipe Ali é vice-presidente da Fifa para a Ásia – o mais jovem da organização – há quatro anos. Ele ainda nem era nascido quando Blatter, de 78 anos, passou a fazer parte do órgão.

Al-Hussein vem se apresentando como o candidato da mudança, prometendo tornar a Fifa mais transparente, proteger a integridade do futebol e distribuir de uma maneira mais igualitária a verba da federação.

"As manchetes deveriam ser sobre o futebol e não sobre a Fifa. Já é hora de redirecionar o foco das polêmicas administrativas de volta para o esporte", disse.

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Filho do rei Hussein e da rainha Alia, ele estudou em uma escola militar na Inglaterra antes de se unir às Forças Armadas de seu país.

Recentemente, ele pressionou a Fifa para que a organização publicasse um relatório sobre as acusações de corrupção na escolha das sedes da copa de 2018 e 2020. Ele também conseguiu que a Fifa derrubasse o veto ao hijab – o véu usado pelas muçulmanas – no futebol feminino.

Mas o príncipe Ali realmente tem alguma chance de vencer? Veja alguns detalhes sobre sua trajetória e sobre sua situação atual.

Porque sua candidatura é importante?

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Essa é a primeira vez desde 2002 que Blatter tem um rival no dia da eleição.

E as chances de Hussein aumentaram depois que os outros dois competidores - o ex-jogador português Luis Figo e o presidente da associação holandesa de futebol Michael van Praag - deixaram a disputa porque eles não queriam criar divisões nos votos antiBlatter.

De quem ele realmente tem apoio?

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A Uefa, a federação europeia de futebol, está apostando todas suas fichas no príncipe.

Na quinta-feira, Michel Platini, presidente da Uefa, voltou a reiterar seu apoio a ele, dizendo que "a grande maioria" das 53 associações de futebol da Europa votaria para o príncipe jordaniano.

"Ninguém aguenta mais. As pessoas não querem um presidente (Blatter) que é mais do mesmo, ninguém mais quer isso." Al-Hussein também ganhou o apoio de associações nacionais de futebol – o diretor da Associação Inglesa de Futebol, Greg Dyke, disse que a Fifa "precisa se livrar" de Blatter.

Mas nem todos estão do seu lado...

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Até mesmo se todos os países europeus apoiarem o príncipe Ali, isso pode não ser suficiente para lhe dar os votos necessários, já que Blatter tem a maioria dos votos dos países em desenvolvimento.

Mesmo a Confederação Asiática de Futebol – do qual a Jordânia é membro – já anunciou que segue apoiando Blatter, assim como a Confederação Africana de Futebol.