Imigrante brasileiro vira o rei da cebolinha no Japão

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O sonho de abrir uma escola no Paraná levou Walter Toshio Saito, 47, ao Japão em 1990. O plano era juntar dinheiro rápido com o trabalho em fábrica e voltar para o Brasil.

Mas uma oportunidade de negócio o fez ficar no país de seus pais e, em 1995, ele abriu uma agência de recursos humanos, voltada para intermediar empregos para brasileiros em fábricas e lavouras no Japão.

O empreendimento cresceu, ele investiu em outras áreas e, hoje, Saito não esconde o orgulho de ser considerado o maior produtor do país de uma espécie de cebolinha.

"Não quero parecer pretensioso demais, mas modéstia à parte hoje nós somos os reis da cebolinha no Japão", diz, animado.

Ele explica que há regiões no Japão que plantam em grandes quantidades, mas a colheita é realizada apenas uma ou duas vezes por ano.

"Nós temos um ciclo de produção anual e colhemos em média três toneladas brutas todos os dias", detalha.

Começo

Saito conta que começou a trabalhar no setor agrícola depois da crise de 2008/2009 porque não havia vagas de trabalho na indústria e sua empresa tinha uma oferta muito grande de funcionários parados.

"Foi uma oportunidade para as pessoas conhecerem uma outra área de trabalho, diferente da fábrica. Alguns gostaram e continuam até hoje", conta.

Aproveitando o conhecimento adquirido por seus funcionários em lavouras, ele começou a plantar em um terreno de 5.000 metros quadrados - hoje são 30 hectares de terra plantados.

"Primeiro plantamos espinafre porque achávamos que seria um produto fácil de cuidar e rápido para produzir, mas o problema era o preço. Depois, investimos na berinjela, que é um produto que dá muito trabalho", lembra.

Foi então que o brasileiro descobriu que a região era famosa por produzir uma variedade de cebolinha gigante, muito parecida com alho-porró.

O negócio deu certo e, agora, Saito quer se tornar o maior agricultor do Japão.

"Eu sempre falo que não gosto de ser o segundo. Então, sempre trabalho para ser o primeiro em tudo o que faço."

Outros negócios

Além das plantações, o brasileiro mantém a agência de recursos humanos, uma imobiliária, uma escola para crianças brasileiras e uma empresa de importação e exportação.

"Temos também uma fábrica de pão de queijo na Tailândia e vamos montar uma rede de lojas do produto na cidade de Bangcoc", conta.

Mas é a escola o maior orgulho de Saito. Afinal, era o sonho inicial dele e da esposa quando vieram ao Japão pela primeira vez.

"Escola para estrangeiros no Japão é um negócio que não dá lucro. Mas acho muito importante os empresários investirem na educação", defende.

Para ele, as crianças foram obrigadas a ir com a família ao Japão, mesmo contra a vontade.

"Quem chama esses brasileiros para vir trabalhar somos nós empresários e, por isso, temos a obrigação dar esse suporte na área educacional", fala.