Ex-pantera negra é libertado nos EUA após 43 anos em solitária

Direito de imagem Angola3.org
Image caption Albert Woodfox, que tem 68 anos, foi colocado em isolamento por ter participado de uma rebelião que matou um guarda; ele nega o crime

Um juiz no Estado americano de Louisiana ordenou a libertação de um homem que esteve preso em uma solitária há 43 anos.

Albert Woodfox, de 68 anos, está detido em isolamento desde 18 de abril de 1972, por ter participado de uma rebelião que matou um guarda. Ele nega qualquer envolvimento no crime.

O juiz, James Brady, também proibiu a promotoria de acusar Woodfox novamente. Ele já tinha sido processado duas vezes pela morte do guarda, mas as duas condenações foram anuladas.

Leia mais: A história do homem que passou 41 anos na solitária nos EUA

Ainda assim, os promotores estaduais afirmaram que devem recorrer da decisão "para terem certeza de que esse assassino permaneça na prisão e seja responsabilizado por suas ações".

Woodfox e outros dois homens foram colocadas na solitária na Penitenciária Estadual de Lousiana. Eles ficaram conhecidos como os Três de Angola (Angola Three), já que a prisão fica próxima de uma antiga fazenda de escravos chamada Angola.

Os outros dois homens – Robert King e Herman Wallace – foram libertados respectivamente em 2001 e 2013. Wallace morreu logo depois de ser libertado, enquanto aguardava um novo julgamento. A condenação de King foi anulada.

Até mesmo a viúva do guarda morto na rebelião se juntou ao movimento pedindo a libertação dos três detidos.

Leia mais: Viúva luta para inocentar homem preso em solitária há 42 anos por morte de marido

Direito de imagem Cortesia de Angola3.org
Image caption Durante todo o tempo, Wallace, King e Woodfox (da esq. para a dir.) sustentaram que foram presos pro crimes que não cometeram; eles eram integrantes dos Panteras Negras

Inicialmente, os três foram presos por acusações de roubo. Woodfox e Wallace pertenciam aos Panteras Negras, um grupo formado em 1966 que militava por autodefesa dos negros contra o racismo e a violência policial.

Durante todas essas décadas, os três negaram qualquer envolvimento com os roubos em questão e sustentaram que foram presos por crimes que não cometeram.

Ao descrever seus 29 anos na solitária, King disse à BBC há três anos que se manteve forte, mas que era extremamente assustador ver como outros entravam em colapso por falta de contato humano.