Conheça alguns dos chefes 'mais generosos' do mundo

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Image caption Prêmios podem vir como incentivo a metas ou apenas para melhorar imagem da empresa

Um dos mandamentos do mundo corporativo é compensar empregados mais dedicados com um bônus ou algum outro tipo de prêmio.

Mas alguns chefes são capazes de gestos grandiosos, oferecendo a funcionários ações da empresa, viagens internacionais, diamantes e carros, entre tantos outros agrados.

Independente das motivações para esses atos ─ de um simples incentivo para que a equipe atinja metas a uma maneira de melhorar a imagem pública ─, o fato é que esses empregados sempre saem ganhando.

Eis aqui alguns exemplos mais famosos desse tipo de "generosidade".

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Incentivo às férias

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Image caption Start-up americana dá R$ 23 mil por ano para funcionários pagarem as férias

Nos Estados Unidos, onde a legislação não obriga o empregador a garantir férias remuneradas, um gerente bem-intencionado não só pode oferecer pagamento pelos dias de folga do funcionário como também pode fazer questão de que eles gozem do tempo livre da melhor maneira possível.

Bart Lorang, diretor-executivo da start-up de tecnologia FullContact, fundada em 2010 e sediada no Colorado, é tão preocupado em garantir que seus empregados descansem em suas férias que ele chega a oferecer folga por tempo indeterminado e ainda oferece a cada um US$ 7,5 mil (mais de R$ 23 mil) por ano para ajudar no custo de viagens.

O dinheiro, no entanto, vem com uma exigência: a de que os funcionários se desliguem totalmente do trabalho. Nada de telefonemas, e-mails e uso de mídias sociais para saber o que está acontecendo no escritório. Quem não cumprir com a cláusula tem de devolver a quantia.

"Nunca houve alguém que quebrou a regra", conta Brad McCarty, diretor de comunicação corporativa da FullContact. Segundo ele, todos os funcionários que têm esse direito já usufruíram dele ─ ou seja, quem está na empresa há pelo menos 90 dias.

O esquema fez tanto sucesso que as notícias se espalharam rapidamente. Recentemente, quando a empresa anunciou uma vaga, apareceram 2 mil candidatos, em vez dos regulares 20 ou 30.

O próprio McCarty foi um dos beneficiados pelo esquema. Ele chegou à Full Contact vindo de uma empresa onde passou cinco anos sem férias. "Com o prêmio, consegui levar meus filhos para a Disneyworld e, em outros anos, pude descansar", conta. "Um lugar cheio de pessoas exaustas e estressadas não é o melhor ambiente para uma empresa que quer ser bem-sucedida. Por mais louca que pareça, a política promove um ambiente de trabalho melhor para todos nós."

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Coisas da idade

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Image caption Dono de grupo de ópticas italiano distribuiu R$ 31,2 milhões em ações da empresa a funcionários

Dizem que a idade pode trazer uma nova maneira de enxergar a vida. E foi o que aconteceu com um dos homens mais ricos da Itália, Leonardo Del Vecchio, fundador e presidente da óptica Luxottica, dona de marcas como a Ray-Ban e a Oakley.

Em maio deste ano, ele preparou uma comemoração inusitada para seus 80 anos: deu a cerca de 8 mil funcionários 14 mil ações da companhia, no valor total de 9 milhões de euros (R$ 31,2 milhões), segundo a porta-voz da empresa, Jane Lehman.

O número de ações entregues a cada funcionário se baseou em seu tempo de serviço e em seu cargo. Cada ação vale cerca de 60 euros (R$ 208) na Bolsa de Milão.

Não foi a primeira vez que Del Vecchio foi generoso com seus empregados. Quando a companhia fez 50 anos, em 2011, ele distribuiu 7 milhões de euros em bônus (R$ 24,2 milhões).

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Dividindo a riqueza

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Image caption Empresário chinês Li Jinyuan pagou férias na França para 6,4 mil empregados

Falando em bônus, que tal este? Quando Ken Grenda vendeu a empresa de ônibus Grenda Corp, na Austrália, em fevereiro de 2012, ele distribuiu um total de US$ 11,5 milhões (R$ 35,4 milhões) entre 1,5 mil funcionários como agradecimento.

O gesto foi tão incrível que Grenda ganhou o título de "chefe mais generoso do mundo".

"Queríamos ser a melhor operadora de ônibus na Austrália, mas para isso os empregados tinham que dar o melhor de si", lembra Grenda, hoje com 82 anos. “"E eles fizeram isso durante muito tempo. Senti que tinha uma dívida com eles."

Para fazer uma surpresa, a companhia depositou os bônus diretamente na conta dos funcionários. Cada um ganhou em média US$ 7,7 mil (R$ 23,7 mil), mas muitos chegaram a receber US$ 23 mil (quase R$ 71 mil). O próprio Grenda criou uma fórmula baseada nos salários e no tempo de serviço para fazer os cálculos.

Ele admite que não esperava a grande comoção que se seguiu a sua decisão, mas diz que "só coisas boas aconteceram" por causa do bônus. "As pessoas compraram casas, carros e viagens com o dinheiro", conta.

Mais de três anos depois, Grenda ainda é reconhecido nas ruas por causa da atenção que ele recebeu da imprensa na época.

"As pessoas fazem coisas por seus funcionários o tempo todo. A diferença em nosso caso foi que aplicamos o bônus a todos eles, sem exceção", diz.

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Temporada de doações

O antigo festival outonal do Diwali, relacionado a Lakshmi, a deusa hindu da prosperidade, é a maior festa de troca de presentes da Índia e coincide com o ano-novo hindu.

Em 2014, Savji Dholakia, diretor-executivo e dono da exportadora de diamantes Hrishikesh Exporters, virou notícia quando, durante a comemoração do Diwali, ofereceu carros, joias e até apartamentos de US$ 8 milhões (R$ 24,6 milhões) a seus funcionários ─ como recompensa por atingirem metas. Mais de 1,2 mil empregados se beneficiaram da generosidade.

Em 2012, ele já havia três empregados com carros. No ano seguinte, foram 72.

O sol (do Mediterrâneo) nasce para todos

Não é raro que empresas realizem jornadas fora do escritório de maneira a agradar seus funcionários. Mas algumas dessas "excursões" são incríveis.

No início de maio, Li Jinyuan, presidente do conglomerado chinês Tiens Group, que atua nas áreas de finanças, turismo, cosméticos e produtos de limpeza, pagou para que seus 6,4 mil funcionários tirassem férias de quatro dias na França, em comemoração pelo aniversário de 20 anos da empresa.

Foi o maior grupo de turistas viajando juntos que a França já recebeu. Foram necessários 140 hotéis em Paris, 4,7 mil quartos em Cannes e Mônaco, e 146 ônibus para transportar todos eles de um lugar para outro. Os funcionários também ganharam alguns privilégios, como uma visita privada ao Museu do Louvre.

A viagem também rendeu uma boa quantidade de publicidade para a empresa e para Jinyuan.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site da BBC Capital.

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