'Olho fantasma', a síndrome que desafia os médicos

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Image caption A Síndrome do Olho Fantasma é mais comum em pacientes jovens e os mais propensos à ansiedade e depressão

Pessoas que sofreram amputações por vezes passam por sensações relacionadas com a parte do corpo que perderam.

Algo parecido ocorre com aquelas que perderam um olho.

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É o que se conhece como Síndrome do Olho Fantasma (PES é a sigla em inglês), que acaba de ser tema de um estudo da Universidade de Liverpool.

'Visões

Os cientistas descobriram que pacientes que tiveram um olho retirado por força de um tipo de câncer sofrem da síndrome.

Eles sentem a dor do olho ausente e têm visões.

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Image caption O estudo da universidade de Liverpool avaliou 179 pessoas que tiveram olhos extraídos

O estudo da Universidade de Liverpool avaliou 179 pessoas vítimas de melanoma intraocular. Um terço delas disse ter sintomas de PES diariamente.

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Na maioria dos pacientes, os sintomas cessaram espontaneamente, mas outros disseram ter sido preciso buscar distrações.

As manifestações de PES começam várias semanas depois da retirada do olho.

A maioria das pessoas afetadas veem apenas padrões e cores, mas alguns creem estar presenciando cenas e pessoas. Um em cada quatro pacientes diz sentir que podem até "ver" com o "olho fantasma".

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Image caption O estudo poderá ajudar médicos a identificar e prevenir possíveis casos de PES

Laura Hope-Stone, que coordenou o estudo, diz que sua equipe descobriu que a PES é muito mais comum do que se imaginava. Seu colega, Steve Brown, acredita que o estudo vai ajudar médicos a identificar as pessoas mais propensas a desenvolver os sistemas.

"O PES é mais comum em pacientes mais jovens. E sentir dores em olhos inexistentes é algo mais provável em pacientes que se sentem ansiosos ou deprimidos. Só não sabemos ainda o porquê".

Hope-Stone diz que a complexidade do sistema nervoso humano pode, de alguma maneira, seguir provocando estímulos mesmo depois da perda de órgãos relacionados à percepção sensorial.

As conclusões também poderão ajudar médicos a prevenir pacientes sobre possíveis manifestações do "olho fantasma".