'Eu não respeito delator', diz Dilma

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Image caption Em delação premiada, Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, afirmou ter feito doações à campanha por temer retaliações em negócios com a Petrobras.

Em sua primeira declaração sobre o assunto, a presidente Dilma Rousseff rejeitou nesta segunda-feira as denúncias feitas pelo dono da UTC, Ricardo Pessoa, em delação premiada, de que ele teria sido pressionado a doar dinheiro para a campanha presidencial em 2014, além de supostamente ter feito doações ilegais a outras campanhas do PT

"Eu não respeito delator", disse Dilma ao conversar com jornalistas em Nova York, primeira parada de sua visita aos Estados Unidos.

"Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas. Eu garanto para vocês que eu resisti bravamente", afirmou.

Em depoimento aos procuradores da Operação Lava Jato, o empresário disse ter doado R$ 7,5 milhões à campanha de reeleição de Dilma porque temia ser prejudicado em negócios com a Petrobras caso não o fizesse.

Dilma disse que sua campanha "recebeu dinheiro legal, R$ 7,5 milhões" e afirmou que seu adversário no segundo turno, Aécio Neves, teria recebido quantia semelhante.

"Na mesma época que eu recebi os recursos, pelo menos uma das vezes, o candidato que concorreu comigo recebeu também, com uma diferença muito pequena de valores."

"Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade", afirmou.

A presidente disse, porém, que a Justiça deve investigar as denúncias.

Garantiu ainda que vai tomar providências "se ele falar sobre mim".

Clima

Dilma partiu na tarde desta segunda-feira de Nova York em direção à capital americana, Washington, onde será recebida pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em um jantar na Casa Branca.

Durante a manhã, a presidente se reuniu com empresários e investidores americanos e participou de um evento sobre oportunidades de investimento em infraestrutura no Brasil.

Em um momento de crise econômica, a visita aos Estados Unidos tem como objetivo ampliar o comércio entre os dois países e reconquistar a confiança dos investidores estrangeiros no Brasil.

De janeiro a maio deste ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o intercâmbio comercial entre Brasil e Estados Unidos (soma das importações e exportações) caiu 22% em relação ao mesmo período de 2014.

Dilma também se reuniu com o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger, com quem disse ter conversado sobre o papel do Brasil no cenário internacional.

Em Washington, um dos principais temas discutidos com Obama deverá ser a questão das mudanças climáticas.

"Nós pretendemos fazer anúncios conjuntos com o governo americano", disse a presidente.

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