Você provavelmente não estará viva para ver igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho

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Se você tem 20 anos de idade em 2015, suas chances de ver a igualdade de gênero no mercado de trabalho em todo o mundo já são pequenas. Segundo a previsão do Fórum Econômico Mundial, será preciso esperar até 2095 para que isso aconteça, caso o ritmo das transformações continue o mesmo.

Estatísticas mostram que a desigualdade de gênero – da qual a diferença salarial faz parte – tem diminuído na última década. No entanto, esta diminuição tem sido lenta e irregular.

O assunto voltou à tona após declarações recentes do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que prometeu diminuir a desigualdade de salários entre homens e mulheres em uma geração.

"Quando minhas filhas, Nancy e Florence, começarem a trabalhar, quero que elas pensem na desigualdade de salários entre gêneros da mesma forma como olhamos para quando mulheres não votavam e não trabalhavam – como algo ultrapassado e errado", disse, em um editorial no jornal The Times.

No Reino Unido – que está na 26ª posição no ranking geral sobre desigualdade de gênero e na 48ª posição no ranking que mede a igualdade de salários entre homens e mulheres para o mesmo emprego – a mudança em uma geração poderia ser possível.

No entanto, o cenário é diferente em outros países e regiões.

60%

é a desigualdade entre os sexos quando se trata de participação econômica e oportunidades para mulheres.

  • Só 4% menos do que em 2006.

  • 81 anos é o tempo necessário para que o mundo corrija a diferença nesse ritmo.

  • Só em 2095 alcançaremos a igualdade de gênero no mercado de trabalho.

Considerando a estimativa do Fórum Econômico Mundial, as filhas de David Cameron terão, respectivamente, 91 e 84 anos de idade quando homens e mulheres estiverem no mesmo nível no mercado de trabalho em todo o mundo.

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Oportunidades econômicas

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O Brasil está na posição 124, entre 142 países, no ranking de igualdade de salários por gênero. Entre os 22 países das Américas neste ranking, aparece em 21º lugar, à frente apenas do Chile e atrás de países como Honduras, Panamá e Bolívia.

Segundo o relatório Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformas as economias para realizar os direitos, publicado pela ONU em 2015, a diferença entre a remuneração de homens e mulheres diminuiu de 38% em 1995 para 29% em 2007.

Mesmo assim, de acordo com a pesquisa Estatísticas de Gênero 2014, do IBGE, a renda média das brasileiras corresponde a cerca de 68% da renda média dos homens.

Quando precisam pedir um aumento...

os homens são mais confiantes

Só 1 em 4

mulheres estão confiantes de que receberão aumento de salário esse ano

enquanto 40%

dos homens esperam um salário mais alto

  • Também é menos provável que mulheres deixem seus empregos por causa de baixos salários

Para o ranking do Fórum Econômico Mundial, a desigualdade de gênero em um país é calculada a partir de uma série de variáveis: fatores econômicos, saúde, educação e participação política das mulheres em comparação com os homens em determinada sociedade.

Os especialistas medem não só a participação econômica das mulheres – ou seja, quantas elas são na força de trabalho de um país –, mas também a oportunidade econômica, que se relaciona com a qualidade dos empregos que as mulheres têm mais possibilidades de conseguir.

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De acordo com o Relatório Global de Desigualdade de Gênero 2014, a oportunidade econômica para as mulheres é especialmente relevante para países em desenvolvimento – onde as mulheres podem conseguir empregos com relativa facilidade, mas não conseguem ser promovidas a melhores posições com melhores salários.

Boa parte do progresso na igualdade de gênero "veio do aumento no número de mulheres que entram na força de trabalho", diz Saadia Zahidi, diretora sênior de Paridade de Gênero no Fórum Econômico Mundial.

O gráfico abaixo apresenta uma panorama por região, fazendo duas perguntas básicas:

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Melhores e piores

No ranking geral, os países nórdicos aparecem no topo da lista como os menos desiguais.

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A Nicarágua, no entanto surpreende em sexto lugar, principalmente por causa de seu alto índice de empoderamento político das mulheres e de acesso à saúde. Mesmo assim, o país não é bem classificado quando se trata de igualdade de salários – cai para a 93ª posição.

PAÍSES MELHOR COLOCADOS

A maior nota possível é 1 (igualdade) e a pior possível é 0 (desigualdade)

  • 1. Islândia 0.8594

  • 2. Finlândia 0.8453

  • 3. Noruega 0.8374

  • 4. Suécia 0.8165

  • 5. Dinamarca 0.8025

De acordo com Zahidi, Ruanda aparece em sétimo entre os países mais igualitários porque "há quase tantas mulheres quanto homens no mercado de trabalho", o que o torna o país com a menor desigualdade de gênero no continente africano.

As Filipinas são o país asiático com a melhor qualificação, em nono lugar, e sua posição se baseia principalmente nas notas altas do quesito igualdade de salários em atividades semelhantes entre homens e mulheres.

PAÍSES COM PIOR COLOCAÇÃO

A maior nota possível é 1 (igualdade) e a pior nota possível é 0 (desigualdade)

  • 138. Mali 0.5779

  • 139. Síria 0.5775

  • 140. Chade 0.5764

  • 141. Paquistão 0.5522

  • 142. Iêmen 0.5145

Em geral, as mulheres em países onde há conflitos e deslocamento de pessoas sofrem mais. As últimas posições do ranking geral sobre a desigualdade são dominadas por países do norte da África e do Oriente Médio.

Mas que governos estão fazendo mais para melhorar a inclusão econômica e a igualdade de salários entre os sexos?

PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA E OPORTUNIDADE

14 países

reduziram em mais de 80% esta diferença entre homens e mulheres

  • 4 são da África Subsaariana

  • 5 são da Europa e da Ásia central

  • Os 5 países que mais reduziram a diferença são Burundi, Noruega, Malauí, Estados Unidos e Bahamas

PARTICIPAÇÃO ECONÔMICA E OPORTUNIDADE

17 países

diminuíram menos de 50% da diferença econômica entre homens e mulheres

  • 11 do Oriente Médio e do norte da África

  • Os últimos 5 lugares neste ranking são ocupados por Iêmen, Irã, Jordânia, Paquistão e Síria