Resposta de Merkel leva menina palestina às lágrimas

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Um vídeo que mostra a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, em um debate sobre política de asilo que levou uma adolescente às lágrimas gera polêmica nas redes sociais.

No debate, Merkel ouve a declaração de uma jovem palestina, em alemão fluente, sobre seu desejo de ir à universidade e progredir.

Sob risco de ser deportada, Reem, de 13 anos, vive com a família na Alemanha há quatro. Eles vieram do Líbano, onde vivem cerca de 450 mil palestinos em 12 campos de refugiados, segundo a Organização das Nações Unidas.

Merkel diz entendê-la, mas destaca que, no entanto, a política é, muitas vezes, difícil. Merkel acrescenta que, como a menina sabe, há milhares de refugiados palestinos no Líbano. “Se dissermos que todos vocês podem vir, e que todos vocês da África podem vir, que todos podem vir, não daremos conta”, disse.

Ao ouvir a resposta, Reem começa a chorar, sendo, imediatamente, confortada por Merkel. "Você se saiu bem", disse a chanceler, que foi, em seguida, contestada pelo moderador do debate. Ele diz que a questão não é se a adolescente se saiu bem ao expressar sua visão, mas, sim, a difícil situação em que ela se encontra.

Merkel diz saber disso, mas, que ainda assim, queria 'fazer um carinho' na menina. A resposta, considerada desajeitada, chegou a virar trending topic no Twitter da Alemanha, com a hashtag #MerkelStreichelt (Merkel faz carinho, em alemão).

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Image caption Reem sorria ao falar de desejo de cursar universidade

O debate ocorreu em uma escola na cidade de Rostock, no norte da Alemanha, e contou com a participação de adolescentes de 14 a 17.

Muitos usuários de diferentes plataformas de redes sociais apoiaram o conteúdo da resposta e a reação de Merkel. "Realista diante da crise que o país vive", disse, no Facebook, um alemão. Mas não faltaram críticas. "Toda a crueldade da política de imigração em um clipe", atacou um jornalista.

O vídeo suscitou ainda discussões sobre a política alemã para o Oriente Médio, com usuários sugerindo que, se Merkel quer menos refugiados palestinos na Alemanha, deveria ter um papel ativo para que a Palestina seja reconhecida internacionalmente e pela retirada de tropas israelenses de territórios palestinos ocupados.

"Um abraço e uma batidinha nas costas antes de deportá-los para uma favela no Oriente Médio não é suficiente", disse um leitor, em comentário com mais de mil curtidas no Facebook.

Segundo a ONU, os palestinos, que representam cerca de 10% da população do Líbano, não gozam dos mesmos direitos de cidadãos libaneses. Não podem, por exemplo, trabalhar em 20 diferentes profissões. Por não serem formalmente considerados cidadãos de outro país, não têm como requerer direitos como outros estrangeiros. A situação nos campos é precária e muitos vivem em pobreza absoluta.

A crise no sistema de asilo na Alemanha vem sendo provocada, por um lado, por um aumento nos pedidos de vários países e, por outro, pela falta de agilidade em lidar com casos específicos que resultem em deportação ou aprovação do pedido.

A Alemanha diz esperar 400 mil pedidos de asilo até o fim deste ano - mais do dobro do que recebeu em 2014.

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