Saudação de Elizabeth 2ª traz de volta rei 'simpático' a Hitler

BBC
Image caption Eduardo VIII (ao centro) posa ao lado de Adolph Hitler durante visita à Alemanha, em 1937

O polêmico vídeo obtido pelo jornal britânico The Sun, que mostra a rainha Elizabeth 2ª fazendo a saudação nazista em 1933, quando tinha apenas sete anos, não deverá causar grandes problemas para a soberana. Mas certamente não é o que se pode chamar de boa publicidade para a Casa de Windsor.

Sobretudo porque a divulgação das imagens volta a lançar luz sobre o polêmico relacionamento de outro soberano do Reino Unido com o regime de Adolph Hitler: o rei Eduardo 8º, que estava no vídeo, justamente ao lado da então princesa Elizabeth – na época, ele era o herdeiro do trono.

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O The Sun publicou reportagem sobre o vídeo de 1933 em sua primeira página na edição deste sábado. A filmagem, de cerca de 17 segundos, mostra a rainha brincando em um jardim. Em determinado momento, a rainha mãe levanta o braço no estilo da saudação nazista e a pequena Elizabeth a imita. O príncipe Eduardo, ao lado delas, também faz o gesto.

O palácio de Buckingham afirmou ser "decepcionante que esse vídeo, feito oito décadas atrás... tenha sido obtido e explorado".

Image caption O jornal "The Sun" publicou em sua primeira página uma imagem do vídeo de 1933

"Muitas pessoas entenderão estas fotos no contexto do momento. É uma família se divertindo que faz uma breve referência a um gesto que se via muito nos noticiários da época", disse uma fonte do palácio à BBC.

"Ninguém sabia como isso se desenvolveria. Sugerir algo diferente é enganoso e desonesto."

Em entrevista à BBC, o editor executivo do The Sun, Stig Abell, afirmou não aceitar a acusação de estar "explorando" a filmagem.

Segundo ele, o jornal decidiu publicar a reportagem porque o assunto é de interesse público e que o envolvimento de Eduardo 8º conferia "significado histórico" a ele.

"Eu acho que (o vídeo) é um pedaço de história social (sobre) um dos episódios mais importantes da história do nosso país, a Segunda Guerra Mundial e a ascensão do nazismo, um dos movimentos mais perniciosos da história da humanidade. Acho que as pessoas têm o direito de ter acesso a um pouco do pano de fundo disso", afirmou.

Ele disse ainda que o jornal mostrou o contexto da época e deixou claro que a rainha mãe e a rainha Elizabeth 2ª acabaram se tornando "heroínas" da Segunda Guerra. "Claro que não estamos sugerindo nada impróprio sobre a rainha ou a Rainha Mãe."

Exílio

Mais conhecido por conta da decisão de abdicar do trono britânico em dezembro de 1936, o rei (e depois duque) nutria, segundo historiadores, certa simpatia pela ascensão do fascismo na Alemanha, o que ainda é uma fonte de embaraço para a família real.

Tio de Elizabeth, Eduardo 8º ficou apenas 11 meses em posse da coroa: envolvido com Wallis Simpson, um plebeia americana divorciada, ele se viu sob imensa pressão do establishment britânico para que fizesse uma "escolha de Sofia". Abdicou e ganhou o título de Duque de Windsor.

Image caption O rei, no dia de seu casamento com Wallis Simpson

Mesmo antes de ascender ao trono, porém, ele já exibia alguma simpatia pelo regime alemão, como ficou sugerido pelo vídeo de 1933. Para alguns historiadores, Eduardo via nos nazistas uma bastião na luta contra o comunismo. E em 1937, contrariando as recomendações do governo britânico, o duque e a esposa fizeram uma visita à Alemanha em que foram vistos fazendo a saudação nazista, além de fotografados ao lado de Hitler.

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Três anos mais tarde, quando Eduardo ocupava o cargo de governador das Bahamas, então ainda colônia britânica, ele deu uma entrevista para a revista americana Liberty, em que foi citado defendendo um acordo de paz com a Alemanha e dizendo que "Hitler era o líder certo e lógico para o povo alemão".

O duque tinha sido enviado para o Caribe depois de se recusar a voltar do exílio na França após o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939. Só voltou atrás depois de muita pressão do governo britânico, em especial do então premiê Winston Churchill.

Depois da guerra, o duque e a duquesa voltaram para a França e viveram lá até 1965, quando o polêmico casal retornou a Londres. Eduardo 8º morreu sete anos depois, em decorrência de um câncer na garganta.

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