Após reaproximação com Cuba, conheça os 3 países que ainda não têm relações com os EUA

Bandeira dos EUA sendo queimada em Teerã em julho (AP) Direito de imagem AP
Image caption EUA e Irã têm relações rompidas desde a Revolução Islâmica

A bandeira dos Estados Unidos voltou a ser hasteada em Havana na sexta-feira, pela primeira vez em 54 anos, na reabertura da embaixada americana em Cuba.

O funcionamento das representações diplomáticas dos dois países - oficializado desde 20 de junho - reduz a lista de países com os quais Washington não mantém relações oficiais.

Veja quais são esses países e o que levou ao rompimento diplomático:

Butão

Dos três países da lista, o Butão talvez seja o caso mais inusitado, já que o país nunca teve conflitos ou rusgas com os EUA.

Mas apenas dois países, Bangladesh e Índia, têm embaixada na capital butanesa, Timfu.

O Butão é um pequeno, remoto e empobrecido reino enclavado no Himalaia, entre dois poderosos vizinhos: Índia e China.

Sem saída para o mar e quase totalmente isolado durante séculos, o país deixou entrar alguns aspectos do mundo exterior - houve uma abertura nas décadas de 1960 e 1970, quando se tornou membro da ONU - ao mesmo tempo em que protege ferozmente suas tradições.

Ainda que Butão e EUA nunca tenham estabelecido relações diplomáticas formais, mantêm laços cordiais e informais por meio da embaixada americana em Nova Déli, na Índia, que cumpre funções consulares aos butaneses, e pela missão do Butão em Nova York, na ONU.

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Image caption Butão tem poucas relações diplomáticas

Segundo o Departamento de Estado americano, o governo convida anualmente participantes butaneses aos EUA via programas acadêmicos.

Em janeiro deste ano, o secretário de Estado, John Kerry, se reuniu com Tshering Tobgay, premiê butanês, durante uma cúpula regional em Ahmedabad, Índia.

Esse encontro foi a primeira reunião entre um chefe da diplomacia americana e um líder butanês. O estabelecimento das relações diplomáticas não foi discutido.

Irã

A imagem de bandeiras americanas sendo incendiadas ou pisoteadas nas ruas de Teerã se tornou comum depois da Revolução Islâmica de 1979.

Naquele ano, o xá Reza Pahlevi apoiado pelos EUA foi derrubado, e o país se converteu numa República Islâmica - os clérigos assumiram o controle político, sob o mando do aiatolá Khomeini.

O líder supremo chegou a se referir aos EUA como o "grande satã", e a partir de então foi assim que o país passou a ser chamado no Irã.

Washington havia estabelecido relações diplomáticas com a Pérsia em 1883, mas estas foram rompidas em 1980, depois que um grupo de estudantes iranianos invadiu a embaixada americana em Teerã e manteve 52 pessoas como reféns durante vários meses.

Os estudantes protestavam pelo fato de os EUA terem dado asilo ao xá, recém-derrocado do poder.

Em 2002, o então presidente dos EUA George W. Bush declarou o Irã parte de um "eixo do mal".

E, ainda que Barack Obama tenha adotado um tom menos agressivo, Washington continuou por anos acusando o Irã de tentar desenvolver armas nucleares. Teerã, por sua vez, sempre alegou que suas ambições nucleares têm fins pacíficos.

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Image caption Acordo nuclear aliviou tensões entre EUA e Irã

Após um longo caminho de diálogo, um grupo de seis potências mundiais - incluindo os EUA - assinou em junho um acordo nuclear com o Irã, que alivia o embargo econômico contra Teerã em troca de mais supervisão externa sobre seu programa atômico.

Ao mesmo tempo, Israel, tradicional aliado americano e opositor ao acordo nuclear, também sempre foi um fator determinante na ausência de relações entre EUA e Irã.

Como diz o próprio Departamento de Estado americano, o fato de o Irã não ter reconhecido o direito de Israel a existir como país é um "obstáculo às possibilidades de paz no Oriente Médio por ter armado militantes, incluindo (o grupo islâmico palestino) Hamas, (o libanês) Hezbollah e a Jihad Islâmica Palestina".

Coreia do Norte

A Coreia do Norte é, há décadas, uma das sociedades mais fechadas do mundo.

País relativamente jovem - formado em 1948 -, com um regime de governo nominalmente comunista, a Coreia do Norte tem sua história guiada pelo líder Kim Il-sung. Apesar de ele ter morrido em 1994, foi nomeado presidente "eterno".

Os EUA nunca tiveram relações diplomáticas com a Coreia do Norte, mas sim com a dinastia Joseon, em 1882, cinco décadas antes da divisão da península coreana.

A partir de 1910 e durante 35 anos, o Japão exerceu poder colonial sobre a Coreia, algo que, somado aos desdobramentos da Segunda Guerra Mundial, acabou dividindo a península em duas zonas de ocupação: uma ligado à União Soviética, no norte, e outra aos EUA, no sul.

Os dois territórios não conseguiram se unificar e, em 1948, foram estabelecidas oficialmente duas nações: a República da Coreia, no sul, e a República Popular Democrática da Coreia, no norte.

Desde então, os EUA têm respaldado os interesses sul-coreanos, liderando inclusive sua defesa à ofensiva do Norte durante a Guerra da Coreia, em 1950.

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Image caption Kim Jong-un, presidente norte-coreano, é neto de Kim Il-sung, líder do país

Hoje, a embaixada da Suécia em Pyongyang oferece serviços consulares limitados aos cidadãos americanos.

A Coreia do Norte, por sua vez, não tem embaixada em Washington, mas tem uma missão na ONU.

Apesar da ausência de laços diplomáticos entre os governos, os EUA têm jurisdição para auxiliar a Coreia do Norte com programas humanitários, em particular durante períodos de fome extrema.

O programa nuclear norte-coreano é outro ponto de conflito constante entre os dois países.

Diversos esforços internacionais para frear as ambições atômicas de Pyongyang levaram à assinatura de alguns acordos parciais e intermitentes, mas constantemente sabotados por testes nucleares norte-coreanos.