Justiça determina prisão de presidente da Guatemala

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Image caption Defesa do ex-presidente da Guatemala diz que prisão provisória não se justifica

A Justiça da Guatemala determinou a prisão provisória do ex-presidente Otto Perez Molina durante o processo que investiga seu suposto envolvimento em um esquema de milionário de corrupção.

Molina está respondendo por suposto envolvimento no desvio de milhares de dólares do serviço alfandegário nacional.

O ex-presidente negou ter cometido qualquer crime. Ele renunciou ao cargo após sofrer grande pressão das ruas.

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As denúncias de corrupção deram início a uma onda de protestos nos últimos meses.

O vice-presidente Alejandro Maldonado foi empossado interinamente como chefe de Estado.

A renúncia de Molina acontece alguns dias antes da eleição presidencial, marcada para domingo. O ex-mandatário foi impedido de participar do pleito devido a uma norma constitucional.

Molina também foi proibido de deixar o país. Seus advogados afirmaram que sua prisão provisória seria “uma violação ao princípio de legalidade e de livre locomoção”.

Eles disseram que não há motivos para se desconfiar que Molina queira fugir, pois apesar de ter recursos para isso decidiu se apresentar à Justiça.

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Image caption Guatemaltecos ocuparam a praça principal da Cidade da Guatemala para pedir a saída de Otto Pérez Molina

Segundo a correspondente da BBC Katy Watson, Molina tentou evitar a renúncia até o último minuto, mas não conseguiu resistir após a realização de manifestações praticamente semanais.

Também contribuíram para sua decisão a emissão de um mandato de prisão e a proibição judicial de que ele deixe o país.

O ex-presidente justificou a renúncia como sendo necessária "para que pudesse enfrentar pessoalmente as acusações de corrupção". Ele disse ainda que a decisão levava em conta o interesse do Estado".

Seus advogados afirmaram que ele é inocente e está preparado para enfrentar as acusações.

A ex-vice-presidente do país Roxana Baldetti também foi acusada de envolvimento no esquema. Ela havia renunciado ao cargo em maio.

Ao menos 100 pessoas estão sendo investigadas no escândalo, que foi apelidado "La Línea" (a Linha).

Responsáveis pela investigação dizem que empresas pagavam propina para autoridades do governo e da alfândega para não ter que pagar taxas ou recolher impostos reduzidos.

Apesar de não ter sido divulgado o total da fraude, as investigações revelaram que em apenas duas semanas o grupo teria recebido 2,5 milhões de quetzales (cerca de US$ 330.000).

Segundo a correspondente Katy Watson, a grande mobilização popular pela saída de Molina do poder pode ser entendida como um recado para as eleições de domingo: os eleitores não tolerarão mais a corrupção como acontecia no passado.

O processo todo está sendo encarado como o início de um novo capítulo na história do país.