Por que nunca vemos os bebês dos pombos?

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Image caption Pombos se espalham pelas cidades mas são muito protetores em relação aos filhotes

Percorra qualquer praça de uma cidade grande ou pequena e você quase certamente encontrará pombos, a ave urbana mais onipresente.

Cinzas, brancos, pretos ou marrons, eles se empoleiram nos prédios, nos muros e nos postes, às vezes deixando cair algumas penas velhas, às vezes derrubando uma carga mais incômoda.

Mas há algo estranho nos pombos. Eles se mostram para nós em sua nobreza ou sua sujeira, em suas brincadeiras ou em seus ataques. Mas nunca vemos seus bebês.

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E levando em conta a absurda abundância de pombos no mundo, só nos resta perguntar por quê.

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Cavernas e penhascos

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Image caption Bebês pombos permanecem no ninho mais de 40 dias até emplumarem e voarem

A resposta está na própria origem dessa ave. Os pombos da espécie Columba livia domestica, que habitam nossas cidades, descendem do pombo-comum (ou pombo-das-rochas). Os dois são essencialmente o mesmo pássaro.

E, mesmo sendo bastante independentes e cosmopolitas, em matéria de reprodução os pombos urbanos ainda são bem discretos ao montar seus ninhos.

O pombo-das-rochas gosta de fazer o ninho nas saliências de penhascos. "Em seu estado natural e selvagem, esse animal vive nos rochedos mais altos próximos ao mar, vivendo em pequenas cavernas a maior parte do ano", explicou o zoólogo William Yarrell no livro A History of British Birds (História dos pássaros britânicos, em tradução livre).

No século 19, ornitógolos observaram que a espécie era bastante numerosa e se reproduzia nas rachaduras dos rochedos. "Mas os ninhos são montados em lugares tão profundos que é impossível alcançá-los".

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Interação com humanos

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Image caption Pombo jovem pode ser identificado por não ter manchas verdes e roxas no pescoço

Há milhares de anos, quando o ser humano passava mais tempo em cavernas, ninguém teria se assustado com a visão de um bebê pombo. Aliás, uma escavação em Gibraltar revelou que o homem de Neandertal gostava de comer pombos antes mesmo de o ser humano moderno chegar à Europa.

Muito tempo depois, quando os neandertais desapareceram e o Homo sapiens assumiu o controle do lugar, eles também se alimentavam de carne de pombo. Por isso, na pré-História, é possível que os filhotes estivessem no cardápio.

Hoje, no entanto, na falta de penhascos rochosos e cavernas sombrias em nossas cidades, o pombo precisa se virar, construindo seu ninho em qualquer lugar mais abrigado e escondido que encontrar – como torres de igrejas, prédios abandonados ou pontes.

Como não entramos nesses espaços com frequência, nem sempre vemos o conteúdo de um ninho de pombo.

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Ninho, doce ninho

Mas e os pombos jovens que acabaram de emplumar? Sim, esses estão por toda parte, mas não são fáceis de serem identificados. Isso porque os filhotes permanecem no ninho por um longo período. Entre sair do ovo e criar penas, o pombo bebê leva mais de 40 dias – o dobro do tempo da maioria dos passarinhos.

Nesse período, os pais alimentam os filhotes com o "leite de papo" regurgitado, rico em proteínas e gorduras. Quando os bebês finalmente alçam voo e saem do ninho, eles estão grandes e virtualmente difíceis de se distinguir dos adultos.

Um observador mais atento pode, no entanto, identificar um pombo jovem e recém-saído do ninho. Esses animais geralmente não apresentam manchas verdes e roxas em torno do pescoço. E têm a cera, uma estrutura mole do bico, mais acinzentada, em vez do branco dos adultos.

Apesar de os bebês pombos serem raros, algumas pessoas conseguem vê-los.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.

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