Às vésperas de fechamento, Hungria tem fluxo recorde de imigrantes

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Image caption Governo húngaro ergueu uma cerca para tentar conter os imigrantes

O número de imigrantes entrando na Hungria pela Sérvia atingiu um novo recorde no sábado, em meio ao clima de tensão envolvendo as discussões da União Europeia sobre como lidar com o problema dos refugiados.

De acordo com autoridades húngaras, mais de quatro mil pessoas, grande parte delas sírios fugindo da Guerra Civil, cruzaram a fronteira do país com a ex-integrante da Iugoslávia, apenas três dias antes da entrada em vigor de uma legislação de emergência proibindo a entrada de novos imigrantes.

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O premiê húngaro, Viktor Orban, durante a semana prometeu deter novos imigrantes. A Hungria está prestes a concluir a construção de uma cerca de quatro metros de altura para bloquear a fronteira com a Sérvia, uma obra que causou polêmica e foi criticada por líderes europeus.

Leia mais: Por que alguns imigrantes conseguem refúgio na Europa e outros não?

Apenas de janeiro a julho, mais de 175 mil imigrantes entraram em território húngaro, país em que o sentimento anti-imigração já tinha crescido consideravelmente nos últimos anos. Além dos sírios, há afegãos e pessoas deixando a Eritreia.

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Image caption O premiê húngaro Viktor Orban adotou medidas linha-dura

Orban também ordenou que quatro mil soldados ajudem a patrulhar a fronteira com a Sérvia, que se tornou um ponto disputado de passagem dos imigrantes tentando chegar à Alemanha, país que mais tem recebido pedidos de asilo na União Europeia.

As autoridades húngaras, porém, insistem em levar os recém-chegados para campos onde possam ser registrados. Isso tem despertado críticas tanto pela falta de uma infraestrutura humanitária nesses campos e pelo fantasma do nazismo.

O ministro das Relações Exteriores da Áustria, Werner Faymann disse ver paralelos entre o tratamento dado por Budapeste aos imigrantes e restrições impostas pelo regime de Hitler aos judeus.

Leia mais: Por que os refugiados querem ir à Alemanha?

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Image caption Mais de 175 mil pessoas teriam entrado na Turquia entre janeiro e julho

O repórter da BBC Nick Thorpe, que está na cidade húngara de Szeged, próxima à fronteira, diz haver um grande clima de incerteza entre os imigrantes em relação ao que vai acontecer com a entrada em vigor da proibição decretada pelo premiê.

A situação promete ficar ainda mais complicada porque autoridades da cidade alemã de Munique disseram ter chegado a um limite de recebimento de refugiados. Treze mil pessoas teriam desembarcado na cidade durante o sábado. O prefeito de Munique, Deiter Reiter, disse que a cidade já carece de capacidade de acomodação e há planos para que o centro esportivo Olympiahalle, um ginásio para 15 mil pessoas, sirva de centro de triagem temporário.

Reiter pediu ainda que outras regiões alemãs recebam imigrantes. A Alemanha diz estar lidando com 250 mil pedidos de asilo que ainda não puderam ser analisados. O país espera aceitar pelo 800 mil pessoas até o final deste ano.

Mas a Alemanha é uma exceção em um debate marcado por um impasse entre a Comissão Europeia e países-membros. Embora Bruxelas tenha anunciado planos para cota compulsórias de imigrantes para as 28 nações do bloco, Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia se opuseram à medida.

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