Nove edifícios incríveis inspirados pela natureza

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Image caption Obra-prima de Gaudí, a Sagrada Família foi inspirada no interior de uma floresta

No fim do século 19, o arquiteto catalão Antoní Gaudí se inspirou em florestas para criar o interior de sua obra-prima, a catedral da Sagrada Família, em Barcelona.

Mais de um século depois, a arquitetura "biomimética" está incorporando até mesmo materiais vivos em suas estruturas.

Nas últimas décadas, profissionais de todo o mundo examinaram de perto espécies marinhas, insetos e plantas para encontrar inspiração para seus prédios. Mas, hoje, o setor está mudando para uma maior compreensão de como a natureza responde a seu entorno e como o homem pode fazer o mesmo.

"Temos que construir edifícios que possam fazer mais usando menos. E o melhor lugar onde isso funciona é na natureza", explica Rupert Soar, engenheiro da Universidade de Nottingham Trent, na Grã-Bretanha.

Aqui estão nove dos mais incríveis e inusitados prédios inspirados pela natureza já construídos.

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Sagrada Família, Espanha

As obras de Gaudí se espalham por Barcelona, na Espanha, e são o legado da crença do arquiteto de que olhar para a natureza é a melhor maneira de atingir a supremacia na construção.

Seu edifício mais ambicioso é a catedral da Sagrada Família, cujo projeto ele assumiu em 1883, mas que só deve ser concluído em 2026 – cem anos após a morte de Gaudí.

O impressionante interior do templo é inspirado na ideia de uma floresta que convida à oração. Colunas que se parecem com árvores se ramificam perto do teto para dar-lhe sustentação, enquanto as claraboias são decoradas com vidros verdes e dourados e as janelas coloridas criam um clima contemplativo.

Museu de Arte de Milwaukee, Estados Unidos

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O aspecto mais chamativo do elegante Museu de Arte de Milwaukee, nos Estados Unidos, é o gigantesco teto solar – o Burke Brise Soleil – que se abre e fecha com enormes asas brancas.

O arquiteto espanhol Santiago Calatrava quis incorporar no prédio tanto as qualidades urbanas como naturais do Lago Michigan, à beira do qual o edifício fica, e levou em consideração a "cultura" de barcos a vela local.

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Kunsthaus Graz, Áustria

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Como uma espécie de borrão preso no fundo do mar, o biomórfico museu Kunsthaus Graz se ergue em meio a casas retas e de tetos vermelhos em Graz, na Áustria.

Marcos Cruz, professor da Escola de Arquitetura Bartlett, da Universidade de Londres, participou do projeto do museu junto com os principais arquitetos, Peter Crook e Colin Fournier. Sua parte foi pesquisar imagens microscópicas de criaturas marinhas.

"Sempre imaginamos o local como um prédio que responde a estímulos", afirma. "Por isso, os tubos de ventilação no teto são tão diferentes. Eles foram feitos para se moverem e interagirem com o sol."

"O revestimento externo é como uma criatura viva, criando áreas de opacidade e transparência que variam segundo as mudanças no ambiente e os diferentes usos do espaço", explica. "Para nós, o edifício sempre foi um tipo de criatura biotecnológica e não algo inerte."

Teatro Nacional de Taichung, Taiwan

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O arquiteto japonês Toyo Ito se inspirou na formação de rochas e cavernas e na transitoriedade da água para criar o Teatro Nacional de Taichung, que para ele deveria representar uma pausa dentro da cidade.

"Essas geometrias eram totalmente impensáveis algum tempo atrás. Não poderiam ter sido feitas antes da era digital", explica o professor Cruz.

"Ferramentas tecnológicas agora nos permitem desenhar e projetar prédios que hoje podem ser reproduzidos em larga escala com um alto nível de rigor e precisão."

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'The Gherkin', Grã-Bretanha

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"Este foi um dos primeiros edifícios ambientalmente progressivos de Londres", afirma Gabriel Tang, arquiteto e professor Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha.

O icônico arranha-céu batizado de 30 St Mary Axe, mas mais conhecido como "The Gherkin" ("o pepino em conserva", em tradução literal), foi completado em 2004.

A torre de 180 metros tem um sistema de ventilação semelhante ao de anêmonas e esponjas, que se alimentam ao direcionar a água do mar por dentro de seus corpos.

Igualmente, o Gherkin é sustentado por uma estrutura de exoesqueleto e a ventilação circula por todo o prédio.

Eden Project, Grã-Bretanha

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Aninhado em um poço de argila perto do vilarejo de Boldeva, na Cornualha, na Grã-Bretanha, o Eden Project abriga uma extraordinária coleção de espécies de plantas vindas de florestas tropicais e do Mediterrâneo.

Mas o próprio edifício também é parte do espetáculo: sua forma curvilínea é um exemplo da geometria de bordas suaves que fascina os arquitetos de hoje.

Criado pelo britânico Nicholas Grimshaw, o projeto usa estruturas semiesféricas transparentes gigantescas que foram inspiradas no formato de bolhas de sabão.

O "coração" do prédio, que funciona como centro educacional, imita o padrão espiral encontrado em muitos itens naturais, como pinhas, abacaxis, girassóis e conchas de caracol.

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'Casa de Algas'’, Alemanha

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O extraordinário edifício BIQ, também conhecido como "casa de algas", em Hamburgo, na Alemanha, incorpora materiais vivos como microalgas em seu projeto.

Uma face da superfície quase transparente dessa torre esverdeada contém minúsculas algas em crescimento que podem controlar a entrada de luz no prédio e oferecer sombra quando necessário.

Trata-se do primeiro exemplo no mundo de uma "fachada biorreatora".

As algas produzidas dentro da capa transparente são continuamente alimentadas com nutrientes e dióxido de carbono através de um circuito de água que percorre a superfície do edifício.

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Quando uma quantidade suficiente de algas crescer, elas podem ser colhidas e usadas para a produção de biogás, que será utilizado no prédio.

Esse engenhoso projeto, do escritório multinacional de arquitetura Arup, foi concluído como um protótipo em 2013.

Eastgate, Zimbábue

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A visão do arquiteto zimbabuano Mick Pearce para o complexo Eastgate, em Harare, no Zimbábue, surgiu quando ele assistiu a um documentário da BBC mostrando como cupins constroem seus ninhos.

Inspirado pela maneira como os insetos usam recursos bastante limitados para criar os cupinzeiros ventilados, tornando-os permeáveis com buracos na superfície, Pearce construiu um prédio também pontilhado por buracos em todo o seu revestimento.

O resultado é um exemplo pioneiro de "ventilação passiva" – a ideia de que edifícios usam energia renovável do ambiente à sua volta em vez de sistemas de aquecimento e ar-condicionado tradicionais, reduzindo o consumo e barateando custos de manutenção.

A "pele" da torre se aquece com o ar externo durante o dia e absorve o calor em sua estrutura. Ao chegar no meio do prédio, o ar já está mais frio. À noite, o calor que foi absorvido durante o dia aquece o interior, criando condições mais confortáveis para as pessoas que vivem e trabalham no local.

Downland Gridshell, Grã-Bretanha

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O leve e arejado edifício Downland Gridshell, que faz parte do Museu Aberto de Weald and Downland, em Shingleton, na Grã-Bretanha, foi concluído em 2002 e usa ripas de carvalho curvadas para criar uma estrutura leve.

"Este pode até ser um prédio que não foi inspirado diretamente por observações da natureza, mas por estar no meio de um bosque e ser feito de madeira, ele se relaciona muito bem com seu ambiente", explica Tang.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth.

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