Atentado em manifestação deixa mais de 80 mortos na Turquia

A reprodução deste formato de vídeo não é compatível com seu dispositivo

Duas explosões em uma manifestação pacífica na capital da Turquia, Ancara, deixaram pelo menos 95 pessoas mortas, de acordo com o Ministério do Interior do país.

Mais de 200 pessoas ficaram feridas.

Imagens de TV mostram pessoas em pânico e deitadas no chão cobertas por sangue entre cartazes do protesto.

As explosões ocorreram perto da estação de trem central da cidade, enquanto manifestantes se concentravam para um protesto organizado por grupos de esquerda.

O partido de apoio aos curdos HDP estava entre os participantes da manifestação.

Leia também: Por que o Nobel da Paz premiou o 'caso de sucesso' da Primavera Árabe

Segundo autoridades do governo, as explosões foram um ataque terrorista. Eles investigam a hipótese de que um homem-bomba tenha provocado pelo menos uma das explosões.

O líder do HDP culpou o Estado pelo ataque e cancelou todos os comícios da campanha eleitoral.

O HDP era um dos participantes da manifestação por "paz e democracia" convocada por uma confederação de sindicatos.

Leia também: Alemanha enfrenta aumento de ataques contra abrigos de imigrantes

Direito de imagem AFP
Image caption Cartazes ficaram cobertos de sangue
Direito de imagem AFP
Image caption Mais de cem pessoas ficaram feridas

Pelo Twitter, o partido disse que havia "inúmeros mortos e feridos" e que a polícia "atacou" pessoas que carregavam os feridos para outros locais.

A moradora do local Emre (que preferiu não ter o sobrenome divulgado) disse que ouviu duas explosões separadas e viu muitos corpos de pessoas mortas. Com raiva, as pessoas tentaram atacar carros de polícia, segundo ela.

Leia também: Após 19 dias em greve de fome, rapper angolano preso está em 'estado grave'

Em junho, antes das eleições gerais, um comício do HDP na cidade de Diyarbakir foi bombardeado.

Em novembro, a Turquia irá novamente às urnas. Já havia temores de que ocorressem novos ataques semelhantes.

Nas eleições de junho, na qual o partido do presidente Recep Tayyip Erdogan (AKP) perdeu maioria, o HDP entrou pela primeira vez na composição do parlamento.

O AKP convocou novas eleições - segundo analistas, seria uma tentativa de conquistar a maioria e enfraquecer o HDP.

O cessar-fogo entre o grupo militante curdo PKK e o governo da Turquia foi quebrado - e ataques dos dois lados passaram a ser frequentes.