Por dentro da primeira discoteca subaquática do mundo

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Image caption Discoteca foi construída em terra antes de ser submersa e instalada em jardim de corais

É sábado à noite nas Maldivas e a pista de dança está fervendo. O DJ, que veio de avião da capital, Male, manda hit atrás de hit – Jump, do Kriss Kross, o remix do Coolio para Stayin’ Alive, Put Your Hands Up de Fat Man Scoops...E eu, com meus passos e gingas de John Travolta, tento impressionar meus amigos.

O problema é que, apesar da batida que pulsa dos alto-falantes, não consigo tirar meus olhos das dezenas de peixes iridescentes e corais multicoloridos que estão do outro lado das janelas.

Estou a 6 metros de profundidade, na primeira discoteca subaquática do mundo – onde as chances de dar de cara com um tubarão assassino são as mesmas de encontrar um DJ matador.

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Image caption Projetados por biólogos, corais em torno do club levaram cinco anos para atrair seres vivos exuberantes

O lugar se chama Subsix e fica a 500 metros da costa da ilha de Niyama, no Atol de Dhaalu, a cerca de 40 minutos de voo em hidroavião desde Male.

Os anfitriões da noite são os incríveis peixes tropicais e o fascinante mar das Maldivas.

Imagine uma série de escotilhas gigantes, que vão do chão ao teto e que dão vista para corais perfeitos e vívidos – só que com uma picape e um agitado bar de coquetéis atrás de você.

A rica fauna à nossa volta parece tão intrigada conosco como estamos com ela. Os peixes flutuam animadamente, quase hipnotizados pelas luzes que rodopiam pelas paredes, ou pelos colares e pulseiras fosforescentes que decoram o corpo de quem está na pista.

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Exagero glamouroso

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Image caption Para chegar à boate, é preciso percorrer 500 m de barco e descer a 6 m de profundidade

O Subsix oficialmente abriu suas portas em 2010, tendo sido construído em terra firme antes de ser submerso e instalado em um jardim de corais cuidadosamente montado por biólogos marinhos.

Avance cinco anos e o que temos hoje é um coral cheio de vida e uma boate que acaba de receber um update na sua decoração, para combinar com o tema submarino.

Fui ao local logo depois que ele foi reinaugurado, em agosto. O teto é decorado por lustres de conchas que se espalham por todo o salão, criando um efeito de ondas do mar. Spots de luzes assumem a forma de estrelas-do-mar, enquanto os bancos no bar são estilizados para parecerem ouriços-do-mar. Tudo feito de maneira elegante, e incrivelmente longe de ser exagerado ou cafona.

A boate só fecha quando o último cliente sobe as escadas para pegar a lancha que o levará de volta à ilha, um trajeto de cerca de 15 minutos. Na minha visita, ouço falar que naquela semana um grupo de turistas russos fez a festa até o sol nascer.

Pode ser que o lugar force um pouco na mistura entre o autêntico e o falso, mas é tão glamouroso quanto qualquer clube badalado de Londres ou Nova York.

Experiências inusitadas

Confesso que tinha minhas reservas – e o impacto ambiental? E o preço absurdo das bebidas? Mas foi difícil resistir ao apelo do local. Talvez seja culpa da falta de oxigênio.

Também entendo se a primeira ideia que nos passa pela cabeça ao ouvir falar de uma discoteca assim é de que se trata de um exagero. No entanto, nos últimos anos, as Maldivas têm aberto as portas para experiências desse tipo. No resort de luxo Huvafen Fushi, por exemplo, é possível usar o spa submarino em forma de concha, enquanto a adega subaquática do condomínio Anantara Kihavah parece ter sido projetado por algum extravagante vilão de um filme de James Bond.

O arquipélago também abriga um restaurante onde é possível comer com uma vista de 180 graus de peixes, tubarões e arraias nadando livremente.

No ano que vem, a ilha de Soneva Jani deve receber o primeiro observatório espacial de luxo do mundo. Não muito longe dali, em Soneva Fushi, os visitantes já podem curtir um cinema a céu aberto em plena floresta, assim como um restaurante nas árvores.

O turismo de luxo definitivamente está cada vez mais teatral. E poder viver uma dessas experiências é algo do qual vou sempre falar.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Travel.