Indígena craque na corrida de tora quer mostrar cultura e protestar contra PEC 215

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A competição consiste em correr, correr, correr, equilibrando sobre os ombros uma tora que equivale ao peso de um adulto fortinho. A corrida de tora foi uma das que mais despertou curiosidade nos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas em Palmas, já a partir da cerimônia de abertura, onde as mulheres da etnia gavião, que vivem em reserva indígena no sudeste do Pará, apresentaram a técnica pela qual são consagradas.

Tuxati Jakankrati, líder das mulheres da delegação, diz que a tora usada por seu povo é de coco e chega a pesar 80 quilos. A carregada pelos homens pode pesar até 120 quilos.

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Ela conta que a corrida é praticada em períodos de festas, e há toras de tipos de tamanhos diferentes para marcar cada festividade. Mas há também um componente competitivo, com grupos diferentes da etnia gavião concorrendo entre si pelo título de vencedor.

Segundo Tuxati, as mulheres começam a praticar a atividade ainda pequenas, indo atrás das adultas, incentivadas pelas mães – e a prática ajuda as meninas a "criar corpo de mulher" e se fortalecerem.

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"Eu mesmo não sei nem explicar a sensação, porque quem ama e gosta de sua cultura não cansa, não sente raiva da sua cultura, só prazer de mostrar e manter viva", diz.

Tuxati afirma ter ficado feliz em apresentar esta tradição ao mundo nos Jogos Indígenas. "Mas isso não quer dizer que a gente está apoiando coisa de branco não", esclarece.

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Ela participou dos protestos realizados durante os jogos contra a primeira aprovação no Congresso do projeto de emenda constitucional que propõe alterar o processo de demarcação de terras indígenas, a PEC 215.

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"Estamos aqui também para fazer um apelo. Queria falar para a Dilma que ela não deixasse aprovar essa PEC. Já é difícil fazer a demarcação do jeito que as coisas são agora. Imagina passando para outro (o Congresso) a responsabilidade, como é que vai ficar. Aprovar a PEC equivale a entrar e passar um trator em cima de todos nós."

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