Queda de avião no Egito: o que se sabe até agora

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Image caption Avião acidentado passou por revisão técnica antes de decolar

Um avião de passageiros da Rússia caiu neste sábado na península do Sinai, matando 217 passageiros e sete tripulantes.

A aeronave voava do resort egípcio de Sharm el-Sheik, no Mar Vermelho, para São Petersburgo.

O Airbus A321, operado pela companhia russa Kogalymavia, também conhecida como Metrojet, decolou do aeroporto de Sharm el-Sheik às 5h58 (1h58 em Brasília) deste sábado.

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O que aconteceu?

O avião desapareceu da tela do radar cerca de 20 minutos após a decolagem, enquanto voava pela região central do Sinai. Ele estava a uma altitude de 9.450 metros, segundo comunicado do Ministério de Relações Exteriores do Egito.

Um avião militar egípcio achou em seguida os destroços na área montanhosa de Hasana, a 35 quilômetros ao sul da cidade costeira de Arish, de acordo com o comunicado.

Autoridades que foram ao local da queda disseram à Reuters que o avião se dividiu em dois, e que "uma pequena parte da cauda pegou fogo e uma outra parte maior bateu em uma pedra".

Mais de 50 ambulâncias foram enviadas ao local da queda. A correspondente da BBC no Cairo Ranya Sabry afirmou que havia corpos espalhados por uma área de 2 km.

Ao menos uma caixa-preta da aeronave já foi encontrada.

O que pode ter acontecido?

Adel Mahgoub, presidente da companhia que administra os aeroportos civis do Egito, disse à agência de notícias Associated Press (AP) que o avião havia passado por uma revisão técnica no aeroporto de Sharm el-Sheik antes de decolar.

Ayman al-Muqadem, membro do Comitê de Incidentes da Aviação do Egito, disse à AP que o piloto havia comunicado dificuldades técnicas durante o voo antes de perder contato com os controladores de voo. O piloto afirmou que tinha a intenção de tentar pousar no aeroporto mais próximo.

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O site de monitoramento de voos Flightradar24 disse que logo antes do sinal do avião sumir do radar a aeronave iniciou uma descida vertical de 1.830 metros por minuto.

O grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico afirmou ter derrubado o voo KGL9268. A afirmação foi feita em um comunicado publicado no aplicativo de mensagens Telegram. A Rússia disse que a afirmação é falsa e que não haveria evidências de que o avião foi derrubado.

A queda aconteceu em uma área onde o governo do Egito está lutando contra insurgentes jihadistas, mas forças de segurança do Egito afirmaram à agência de notícias Reuters que não há indicativos de que o avião tenha sido abatido ou explodido.

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Image caption Extremistas afirmaram ter derrubado aeronave, mas segundo especialista armas do grupo não têm capacidade para isso

Militantes da afiliada do autoproclamado Estado Islâmico na península do Sinai possuem lançadores de mísseis portáteis terra-ar. Porém, um especialista em segurança da organização Manama Dialogue do Bahrain disse à BBC que o avião estava voando a uma altitude superior à capacidade desse armamento.

Quem são as vítimas?

O avião estava carregando 214 cidadãos russos e três ucranianos, segundo o governo egípcio. Dos 217 passageiros, 138 eram mulheres, 62 homens e 17 crianças.

A Associação de Operadores de Turismo da Rússia (Ator) publicou em seu website uma lista que afirma ser dos nomes dos passageiros e da tripulação.

O que sabemos sobre o avião?

O A321 tem dois motores e uma autonomia de 7.400 quilômetros, segundo a Airbus. Ele pode levar até 220 passageiros.

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O A321 que caiu foi produzido em 1997 e acumulou 56 mil horas de voo, em 21 mil voos, segundo um comunicado da Airbus.

Desde 2012 o avião era operado pela Kogalymavia, uma companhia aérea baseada no oeste da Sibéria que também administra uma frota chamada Metrojet.