Ataques em Paris: O que se sabe sobre suspeitos de executar os atentados

Direito de imagem
Image caption Suspeito alugou um dos veículos usados no ataque, mas seu exato envolvimento é incerto

Esta reportagem está sendo atualizada constantemente, de acordo com a evolução dos fatos.

As autoridades francesas que investigam os atentados ocorridos em Paris na sexta identificaram até agora sete suspeitos de participar dos ataques, assumidos pelo grupo autoproclamado “Estado Islâmico” ("EI").

Cinco desses suspeitos morreram ao detonar explosivos que carregavam junto a suas roupas. Outro foi preso pela polícia e liberado sem que fosse feita qualquer acusação, segundo sua advogada.

O último, Salah Abdeslam, de 26 anos, está sendo caçado após a polícia francesa emitir um mandado internacional para sua prisão – ele alugou um dos carros que teriam sido usados nos ataques.

Outros dois autores dos atentados, que se explodiram durante os ataques, ainda não foram identificados. Ao menos 129 pessoas morreram na série de disparos e explosões.

Veja, a seguir, um breve perfil de cada suspeito.

Leia também: Quem são as vítimas dos ataques em Paris?

Salah Abdeslam

O francês de 26 anos é considerado um suspeito-chave e está sendo caçado pela polícia.

Acredita-se que ele alugou na Bélgica o veículo VW Polo encontrado perto da casa de shows Bataclan, onde 89 pessoas foram mortas.

No sábado, ele estava com outros dois homens em um carro parado pela polícia nas proximidades da fronteira com a Bélgica. O veículo acabou liberado.

Ainda não está claro se as autoridades francesas já haviam ligado Salah Absdelam ao carro achado no Bataclan quando o grupo foi parado pelos policiais perto da fronteira.

A polícia descreveu o suspeito como perigoso, e alerta as pessoas para que não se aproximem dele.

O canal de TV francês BFMTV afirma que, segundo uma fonte que atua nas investigações, Salah e um dos autores dos ataques eram conhecidos pelas autoridades da Bélgica, onde ele vivia.

Leia também: Dilma: 'Barbárie' do 'Estado Islâmico' precisa ser combatida

Direito de imagem BFMTV
Image caption Carro preto usado no ataque foi encontrado do lado de fora do Bataclan

Brahim Abdeslam

Irmão de Salah Absdelam, morreu após detonar os explosivos grudados às suas roupas nas proximidades de um café na Boulevard Voltaire, segundo os investigadores.

O homem de 31 anos havia alugado um veículo Seat que foi encontrado após os ataques.

Ele já havia aparecido em várias investigações da polícia belga junto a Abdelhamid Abaaoud, apontado como mentor dos atentados da sexta.

Os documentos são relacionados a casos criminais em 2010 e 2011.

“Os investigadores veem um link com Verviers”, afirmou o jornal belga De Standaard em referência à cidade onde a polícia do país matou dois suspeitos em janeiro e desbaratou um grupo que planejava matar policiais alguns dias depois do ataque em Paris ao jornal satírico Charlie Hebdo.

Brahim Abdeslam e Abaaoud moraram em Molenkeek, bairro degradado de Bruxelas com grande população muçulmana, descrito por algumas autoridades como um “celeiro para jihadistas”.

Acredita-se que Abaaoud, descendente de marroquinos de 27 anos, agora esteja na Síria, onde teria se juntado ao “Estado Islâmico”.

Leia também: Hollande promete 'destruir EI'

Direito de imagem Getty
Image caption Ataques deixaram ao menos 129 mortos em Paris

Omar Ismail Mostefai

O francês de 29 anos, que morreu no ataque ao Bataclan, viveu em Courcouronnes e em Chartres, nas proximidades de Paris.

Uma autoridade turca confirmou à BBC que ele entrou na Turquia em 2013, mas que não há registros de sua saída do país.

Essa autoridade, que falou sob condição de anonimato, contou que a França solicitou informações sobre quatro suspeitos à Turquia em outubro de 2014.

Ele acrescentou que, durante a investigação, as autoridades turcas identificaram um quinto indivíduo, Omar Ismail Mostefai, e notificou os franceses duas vezes – em dezembro de 2014 e junho deste ano.

“Não tivemos, porém, nenhuma resposta da França sobre o assunto”, afirmou. Segundo essa fonte turca, apenas após os ataques em Paris é que a Turquia recebeu da França um pedido formal de informações sobre Mostefai.

Leia também: Por que novamente em Paris?

Direito de imagem Reuters
Image caption Casa onde Omar Ismail Mostefai viveu em Chartres, ao sul de Paris

Ahmad al-Mohammad

Acredita-se que o homem de 25 anos, sírio da cidade de Idlib, morreu após se autoexplodir do lado de fora do estádio Stade de France.

Um passaporte sírio em seu nome foi encontrado no local.

Investigadores estão tentando descobrir se o passaporte é verdadeiro –existe a possibilidade de que essa não seja a verdadeira identidade do homem-bomba.

A Promotoria de Paris afirmou que digitais do autor do ataque batem com a de uma pessoa que veio para a Europa com um grupo de imigrantes que chegou ao continente pela ilha grega de Leros.

Leia também: Houve falha de segurança? Pergunta divide especialistas

Direito de imagem EPA
Image caption Atentados deixaram mais de 350 feridos, muitos dos quais ainda estão em estado grave

Bilal Hadfi

O jovem de 20 anos foi identificado como um dos autores do ataque ao Stade de France.

Ele, que morreu no local, é francês, mas morava na Bélgica.

Alguns relatos sugerem que ele chegou a atuar como combatente do “EI” na Síria.

Samy Animour

O francês de 28 anos era um dos homens-bomba que se matou no Bataclan.

Ele vivia perto de Paris, segundo os serviços de inteligência franceses. Ele foi acusado de ligação com terroristas em 2012 ao planejar viajar para o Iêmen.

Leia também: Ataques foram deflagrados em apenas 33 minutos; veja linha do tempo

Animour foi colocado sob supervisão judicial, mas em seguida saiu do radar, o que levou as autoridades a emitirem um mandado de captura internacional.

Três parentes dele foram detidos após os ataques.

Mohammed Abdeslam

O irmão de Salah e Brahim Abdeslam foi preso pela polícia belga em Molenbeek no sábado, e apontado como suspeito pelas autoridades francesas.

Porém, acabou liberado nesta segunda, sem que qualquer acusação fosse feita.

Sua advogada, Natalie Gallant, afirmou que ele soube apenas nesta segunda que seu irmão Brahim morreu nos ataques.