Dilma:'Barbárie' do 'Estado Islâmico' precisa ser combatida

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Image caption Presidente falou sobre atentados em Paris durante encontro na Turquia

A presidente Dilma Rousseff usou discurso na manhã deste domingo em reunião do grupo dos Brics, na Turquia, para condenar a "barbárie da organização terrorista Estado Islâmico" nos ataques em Paris.

"Expresso o meu mais veemente repúdio, que é também o de todo o povo brasileiro, aos atos de barbárie praticados pela organização terrorista 'Estado Islâmico' que levaram mortes e sofrimento a centenas de pessoas de várias nacionalidades em Paris", disse a presidente durante o encontro em Antália que antecedeu a cúpula do G20.

Embora todos os líderes dos Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, tenham mencionado os atentados na França, Dilma foi a única a citar nominalmente a organização que assumiu a autoria dos ataques.

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A presidente externou "integral solidariedade" ao povo francês e ao presidente François Hollande, que cancelou participação no G20 após os atentados. "Essas atrocidades tornam ainda mais urgente uma ação conjunta de toda a comunidade internacional no combate sem tréguas ao terrorismo."

A noite de terror em Paris na última sexta-feira alterou a dinâmica da reunião do G20, o grupo das maiores nações ricas e em desenvolvimento, que ocorre até amanhã em Antália, na costa mediterrânea da Turquia.

O tema já estava previsto no cardápio de discussão política dos líderes, ao lado da crise mais grave de refugiados desde a 2ª Guerra Mundial, mas assumiu nova relevância - o que já ficou claro na reunião dos Brics, que ocorreu pela manhã, antes do início oficial das atividades da cúpula do G20.

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Image caption Atentados em Paris deixaram pelo menos 129 mortos

Os líderes dos Brics também citaram a queda no Egito, no mês passado, do avião da companhia aérea russa Metrojet, episódio que deixou 224 mortos e envolve forte suspeita de que a aeronave teria sido derrubada pela detonação de uma bomba colocada em seu interior, e as explosões de outubro em Ancara, capital turca, que mataram mais de cem pessoas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, definiu o terrorismo como "mal global" e pediu ação conjunta e "em conformidade" com princípios da ONU (Organização das Nações Unidas).

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"A necessidade de esforço global contra o terrorismo nunca foi tão urgente como agora", disse o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A Índia assumirá a presidência de turno do grupo dos Brics em 2016 – neste ano a tarefa coube à Rússia.

Foi do presidente da África do Sul, Jacob Zuma, a manifestação política mais forte da reunião, ao defender que refugiados não sejam responsabilizados pelos crimes na França. "Os refugiados vão atrás de paz e de uma vida melhor. Não devem ser tachados como terroristas."

O presidente da China, Xi Jiaping, dedicou "menção especial" ao acidente aéreo no Egito e se disse "chocado" pelos ataques em Paris.

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Image caption Dilma em chegada a encontro dos Brics em Antália, na Turquia

Em comunicado oficial após a reunião, o grupo dos Brics reafirmou "apoio ao povo e ao governo da França e aos esforços para levar os responsáveis à Justiça".

No front econômico, os Brics concordaram que a economia global "ainda está em risco" e que a recuperação "não é sustentável". "Desafios geopolíticos, incluindo a politização das relações econômicas e a introdução de sanções econômicas unilaterais, continuam prejudicando as perspectivas futuras de crescimento econômico", diz o comunicado oficial.

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G20

Após a reunião dos Brics, os líderes seguiram para outro hotel da região de Belek, cidade turística vizinha a Antália, para a abertura oficial da cúpula do G20. Os líderes foram recebidos pelo presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, e seguiram para um almoço de trabalho.

À tarde haverá uma sessão de trabalho sobre desenvolvimento e clima, e à noite, uma recepção e um jantar oferecidos pelo governo turco – quando espera-se que os líderes discutam temas políticos, como terrorismo e crise dos refugiados.

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O comunicado final da cúpula deverá seguir o exemplo do grupo dos Brics e reforçar o compromisso político de combate ao terrorismo.

Enquanto o consenso nesse sentido já estava garantido, as principais pendências de última hora nas conversas diplomáticas se referiam à questão climática. Havia dificuldade, na noite de sábado, em encontrar um tom duro, que reforçasse a importância de um acordo na Conferência Climática de Paris, que começa no final do mês, mas sem avançar demais sobre detalhes polêmicos inerentes à negociação.

O comunicado final da reunião dos Brics citou o tema ao manifestar desejo de "resultado exitoso" na conferência e o compromisso de que um eventual acordo tenha força jurídica para ser aplicado por todos os países envolvidos.