Francês, 29 anos e com passagem pela polícia: conheça o suspeito de ataques em Paris identificado por dedo após explosão

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Image caption Ataques deixaram pelo menos 129 mortos

Um pedaço de dedo permitiu que a polícia francesa identificasse um dos autores dos ataques que mataram pelo menos 129 e feriram 350 em Paris.

Omar Ismail Mostefai tinha 29 anos e é cidadão francês de origem argelina. Seis pessoas próximas a ele, incluindo pai, irmão e cunhada, foram presas na manhã do sábado.

Um pedaço de seu dedo foi localizado na casa de shows Bataclan, onde 80 pessoas morreram. Assim como os outros seis homens que teriam participado dos atentados, Mostefai morreu em um atentado suicida.

Os investigadores teriam usado suas impressões digitais para chegar a sua identidade. Agora, detalhes sobre sua vida começam a emergir.

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Mostefai nasceu e foi criado em Courcouronnes, subúrbio que fica a 25 km ao sul do centro de Paris. Ele morava na vizinha Chartres até 2012, de acordo com o vice-prefeito Jean-Pierre Gorges.

O suspeito frequentava a mesquita de Luce, perto de Chartres, e tinha um histórico de crimes leves – foi detido oito vezes, mas nunca passou um tempo na prisão.

Os serviços de segurança consideram que se radicalizou em 2010, mas nunca o implicaram em investigações de contraterrorismo. A polícia está tentando descobrir se ele viajou para a Síria em 2014.

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Image caption A casa onde Omar Mostefai viveu em Chartres, ao sul de Paris, dois anos atrás

‘Um bom homem’

O repórter da BBC James Longman conversou com um jovem chamado Riza, que vive em Courcourronnes. Ele diz que conhecia Mostefai e soube dele até 2009 ou 2010, quando o suspeito deixou a área.

Segundo o rapaz, a última notícia que teve sobre ele foi de que tinha uma filha pequena e havia se mudado para a área de Chartres.

Riza diz lembrar-se de Mostefai como “um dos caras” que gastava seu tempo participando de corridas de carros e se divertindo com os amigos.

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“Ele era uma boa pessoa. Era o tipo de cara que te ajudaria se você tivesse algum problema com um grupo de outra área”, conta.

“Nós estamos chateados, como todo mundo. É difícil. Nós nunca pensamos que ele faria isso”, acrescenta. “Eu não sei por que ele fez isso. O que se passava pela cabeça dele? Eu não sei com quem ele estava andando”.

Riza diz que Mostafai era um rapaz comum do subúrbio. “Era como todos os outros jovens. Fazia bobagens, coisas estúpidas. Mas jamais pensaria que chegaria a esse ponto.”

Ele se diz triste. “Dói ver alguém que veio do mesmo lugar que você fazendo algo assim.”

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Image caption Mostafai teria participado de atentado no Le Bataclan

Visita à Síria?

Já se sabe que Mostefai se mudou para Chartres, a uma hora ao sul dali, por volta de 2009. Foi nessa época que ele foi classificado pelas autoridades como um possível radical.

Segundo relatos, ele frequentou a mesquita Geração 2000, localizada na vizinha Luce.

O presidente do templo, Abdallah Benali, disse não conhecer Mostefai. “Nós expulsamos pessoas que não respeitam nossas regras ou se comportam de forma estranha, e os reportamos para as autoridades”, afirmou à agência de notícias AFP.

O jornal francês Le Monde noticiou que, por volta de janeiro do ano passado, Mostefai pode ter deixado Chartres por alguns meses para visitar a Síria.

De acordo com a publicação, há registros de que ele teria passado pela Turquia por volta de outubro de 2013. Serviços de inteligência o notaram novamente ainda nos primeiros meses de 2014, ao observar um pequeno grupo de salafistas em Chartres.

Naquela época, ele era considerado um dos membros regulares do grupo.

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Image caption Abdallah Benali (à esq.), presidente da mesquita de Luce, afirmou não conhecer Mostefai

Parentes detidos

O pai, um irmão e uma cunhada de Mostefai estão entres as seis pessoas ligadas a ele que teriam sido detidas pela polícia.

"É louco, uma loucura. Eu estava em Paris na noite passada (sexta), eu vi a bagunça que foi", disse o irmão mais velho dele à agência de notícias AFP antes de ser detido.

Ele disse que não tinha contato com seu irmão há vários anos por causa de uma disputa na família, mas que estava surpreso de saber que ele havia se radicalizado.

O irmão disse que Mostefai era um dos seis irmãos da família e que havia viajado para a Argélia com sua família e sua filha.

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Image caption Homenagens às vítimas foram feitas em todo o mundo

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