'Não sabíamos de nada': irmão de acusado diz que pais estão em estado de choque

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O irmão de dois dos principais suspeitos dos ataques em Paris afirmou que os pais estão "em choque" e que ainda não conseguiram entender o que aconteceu.

Mohamed Abdeslam disse que a família não notou nada de errado no comportamento de Brahim e Salah Abdeslam.

"Não sei dizer a vocês por que ou como tudo isso aconteceu. Somos uma família aberta. Nunca tivemos problemas com a Justiça. Meus pais estão em choque e não conseguem entender o que aconteceu", disse ele em entrevista a jornalistas após deixar a delegacia onde permaneceu sob custódia.

"Soubemos de tudo pela TV, como muitos de vocês, e não imaginamos em nenhum momento que alguns dos meus irmãos estava vinculado aos ataques", acrescentou.

Nos ataques, Brahim, de 31 anos, que nasceu na França, se explodiu em um bar no Boulevard Voltaire.

Já Salah, de 26 anos, que nasceu na Bélgica, permanece foragido. Ele seria um dos atiradores da casa de shows Le Bataclan, onde 89 pessoas foram mortas, o mais sangrento de todos os ataques ocorridos na capital francesa na última sexta-feira.

Pelo menos 132 pessoas morreram e 350 ficaram feridas, sendo 80 em estado grave, no pior ataque a solo francês desde a 2ª Guerra Mundial.

Mohamed foi detido na Bélgica no último sábado para ser interrogado por autoridades que buscavam suspeitos e informações sobre os ataques.

Ele foi liberado sem acusações formais 36 horas mais tarde, na segunda-feira, por um juiz de Bruxelas, onde mora sua família.

Mohamed disse ainda que não sabia que os irmãos estavam em Paris.

"Eles são adultos, maiores de idade. Não perguntamos a eles aonde vão toda vez que saem de casa".

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'Homem normal'

Sobre seu irmão, Salah, Mohamed disse que a família não tem ideia de seu paradeiro.

"Não sabemos onde ele está. Não sabemos se ele vai se entregar à Justiça. Ele cresceu aqui e estudou aqui. É um homem totalmente normal", disse.

Mohamed manifestou ainda solidariedade com os familiares das vítimas dos ataques em Paris.

"Podem achar que estou louco, mas saibam que eu e minha família estamos emocionados com o que aconteceu", disse.

"Pensamos nas vítimas, nas famílias das vítimas, mas também vocês (jornalistas) devem entender que temos uma família, uma mãe, e que, apesar de tudo, ele (Salah) continua sendo seu filho", concluiu.

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