Acaba o cerco ao hotel no Mali: ao menos 18 morreram

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Um grupo armado invadiu um hotel na capital do Mali, Bamako, nesta sexta-feira, fazendo 170 reféns e deixando ao menos 18 mortos.

O ataque ocorreu às 8h, hora local, quando um grupo entrou no Radisson Blue, gritando "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe). Os homens teriam burlado a segurança ao chegar no hotel em carros usando placas diplomáticas falsas.

Tropas do Máli e da França, que desde 2013 tem presença militar no país africano para auxiliar no combate a extremistas islâmicos, cercaram o hotel e o invadiram no final da manhã para tentar libertar os reféns.

Por volta de 14h (de Brasília), as autoridades do Mali anunciaram que os reféns restantes tinham sido libertados. A TV estatal do país informou que havia ao menos 18 mortos, mas esse número pode ser mais alto.

Um funcionário da ONU, que falou sob condição de anonimato, disse que haviam 12 corpos no porão, mas outros 15 no segundo andar.

A Al-Qaeda do Magreb Islâmico e um de seus grupos aliados na região, o obscuro grupo radical islâmico Al-Murabitoun, reivindicaram a autoria do ataque.

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Os reféns eram de várias nacionalidades: de chineses e indianos a franceses e russos.

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Image caption Pelo menos dez homens armados teriam invadido hotel

Localizado em um bairro da cidade em que fica o setor diplomático, o Radisson Blu é um endereço popular para trabalhadores estrangeiros no Máli, em que operam muitas empresas multinacionais mineradoras - o país é o terceiro maior produtor de ouro do mundo.

Mas também é utilizado por funcionários de companhias aéreas - a Air France, por exemplo, tinha 12 funcionários hospedados por lá.

Tropas de elite americanas também ajudaram na operação.

Citando fontes locais, a agência Reuters disse que os homens que atacaram o hotel libertaram inicialmente dois reféns que foram capazes de recitar versos do Corão, o livro sagrado muçulmano.

Pelo menos um dos libertados disse ter ouvido os homens armados conversando em inglês - o francês é a língua oficial do Mali.

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Ex-colônia francesa, o Mali tem sido palco de revoltas de grupos extremistas islâmicos ligados a um braço do Al-Qaeda na África.

Algumas das principais cidades do país foram tomadas por militantes em 2012. No ano seguinte, a pedido do governo do país e com o aval da ONU, tropas francesas intervieram no conflito, com bombardeios a posições rebeldes. Algumas tropas ainda permanecem no país africano, ao lado também de tropas da ONU. Mas embora a insurgência islâmica tenha sido controlada, ainda há ataques esporádicos e houve 50 mortes de "capacetes azuis" desde o início da missão, em julho de 2013.

Em março do ano passado, um grupo islamista assumiu a autoria de um ataque a um restaurante popular entre estrangeiros em Bamako, em que cinco pessoas morreram.

O incidente desta sexta-feira veio dias depois de Iyad Ag Ghaly, líder do grupo radical islâmico Ansar Dine, pedir que militantes atacassem "interesses franceses" no Mali.

Esta história será atualizada assim que surgirem novas informações.

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