Ataque na Califórnia: a inspiração no EI e os elementos que diferenciam a ação

Foto; Getty Direito de imagem Getty
Image caption Mulher envolvida em atentado na Califórnia publicou mensagem de apoio ao Estado Islâmico

A mulher envolvida no ataque ao centro comunitário em San Bernardino, na Califórnia, jurou fidelidade para um líder do grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico por meio do Facebook, afirmam autoridades americanas.

Esse é um dos elementos que torna esse ataque diferente da maioria dos atentados a tiros nos Estados Unidos. O FBI está investigando o caso como ato de terrorismo.

A série de disparos, na quarta-feira, deixou 14 pessoas mortas e 21 feridas.

Leia também: Gêmeo com irmão saudável foi 'paciente zero' em epidemia de microcefalia, diz médica

O envolvimento de mulheres nesses ataques é incomum. De acordo com dados da organização Shooting Tracker, que rastreia esse tipo de ação, 98% dos ataques a tiros nos Estados Unidos foram feitos por homens.

Outro fator que foge do padrão é o fato de dois atiradores estarem envolvidos. A maioria desses ataques é promovida pelos apelidados "lobos solitários", criminosos que agem de forma independente.

Tashfeen Malik usou um perfil com nome diferente no Facebook para publicar a mensagem de apoio a Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico.

A publicação já foi removida da rede social.

Radicalização autônoma

Malik, de 27 anos, e seu marido, Syed Rizwan Farook, de 28, morreram ao trocar tiros com a polícia logo após os assassinatos em San Bernardino, a leste de Los Angeles.

Segundo o jornal The New York Times, não há evidências de que o Estado Islâmico tenha comandado o casal no ataque.

"Até o momento acreditamos que eles tenham se radicalizado de forma autônoma e sido mais inspirados pelo grupo do que recebido ordens dele", disse uma autoridade à publicação.

Siga a BBC Brasil no Twitter e no Facebook

Direito de imagem Getty
Image caption Ataque deixou 14 mortos e 21 feridos na Califórnia

Após o ataque à agência de serviço social Inland Regional Center, a polícia achou na residência do casal equipamentos para confecção de bombas, armas e milhares de munições.

Eles destruíram computadores e outros equipamentos eletrônicos antes do atentado, segundo o governo americano.

Investigadores também descobriram que Farook havia discutido com um colega no trabalho, após ele criticar “os perigos inerentes do Islã”.

Leia também: Grã-Bretanha inicia bombardeios na Síria; conheça as armas usadas pela coalizão contra o EI

Malik nasceu no Paquistão e viveu recentemente na Arábia Saudita.

Membros da inteligência paquistanesa identificaram parentes dela no país, segundo a agência de notícias Reuters.

Vítimas

A polícia americana disse que entre 75 e 80 pessoas estavam no centro comunitário quando os tiros começaram a ser disparados.

As identidades das vítimas começaram a ser reveladas pelas autoridades de San Bernardino. A mais nova tinha 26 anos e a mais velha, 60.

Autoridades afirmaram que o ataque teve "certo grau de planejamento", e o chefe de polícia local, Jarrod Burguan, disse que o casal parecia estar se preparando para realizar outro ataque.

"Havia certamente uma missão aqui. Sabemos disso. Mas não sabemos o porquê. Não sabemos se esse era o alvo inicial ou se alguma coisa fez com que eles fizessem isso imediatamente", afirmou David Bowdich, diretor-assistente do escritório do FBI em Los Angeles.

Leia também: O que a polícia britânica, que só atirou 2 vezes em um ano, pode ensinar à do Rio

No confronto com a polícia, Farook e Malik disparam 76 tiros. Os policiais usaram 380 munições.

Dois policiais foram feridos na perseguição.

'Carnificina'

Um dos agentes que foi à cena do ataque usou a palavra "carnificina" para descrevê-la.

O tenente Mike Madden disse na quarta-feira que ele e seus colegas passavam por corpos e pessoas feridas enquanto "enfrentavam os atiradores".

O presidente Barack Obama – que defende um controle mais rígido à venda de armas de fogo nos Estados Unidos – anunciou que o FBI assumiu a investigação.

O atentado em San Bernardino foi o ataque a tiros mais grave nos Estados Unidos desde 2012, quando 26 pessoas foram mortas em uma escola em Newtown, no Estado de Connecticut.