OCDE: Refinar relação com China pode ajudar Brasil voltar a crescer

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Image caption Transformações da economia chinesa podem ser oportunidade para o Brasil, diz relatório

"Refinar" as relações com a China pode ajudar o Brasil a voltar a crescer, segundo o chefe da unidade da América Latina da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), Ángel Melguizo, que participou, nesta sexta-feira, do lançamento de um relatório da entidade sobre o tema.

"A América Latina, o Brasil em especial, precisam melhorar a qualidade da sua relação com a China para aproveitar as oportunidades que estão surgindo com as transformações em curso na economia desse país asiático", disse Melguizo à BBC Brasil.

"Até agora, a relação foi baseada principalmente na venda de commodities. Agora, nesse 'novo normal' chinês, há cada vez mais espaço para a venda de produtos de maior qualidade e valor agregado. Ou seja, o Brasil vai ter espaço para exportar menos soja e mais cortes caros de carne para a China."

O relatório, feito em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) e o banco de desenvolvimento CAF, foi divulgado em Bogotá, na Colômbia.

Ele afirma que, por causa do processo de urbanização e da consolidação da classe média chinesa, o mercado doméstico do país abre novas oportunidades para as nações latino-americanas em setores como alimentos, serviços e turismo.

E também que há oportunidades para expandir a parceria com a China no financiamento de projetos de infraestrutura.

"A América Latina deve definir um novo modelo econômico ancorado em políticas de desenvolvimento produtivas para melhorar sua participação nas cadeias globais de valor, aumentar sua diversificação econômica e fortalecer suas exportações de alimentos, serviços e turismo", diz o documento.

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Comércio

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Image caption China é hoje principal parceira comercial do Brasil

Nos anos 2000, o comércio do Brasil com a China cresceu rapidamente, o que transformou o país asiático no principal parceiro comercial brasileiro. O mesmo aconteceu com boa parte dos países latino-americanos.

A questão é que a lista dos produtos mais exportados pela região para o país asiático tem uma forte presença de commodities de baixo valor agregado.

Mais recentemente, a desaceleração chinesa, juntamente com a queda do preço das commodities, foi apontada como um dos fatores por trás da piora nas perspectivas econômicas para a América Latina e o Brasil.

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Para alguns críticos da política externa e comercial brasileira dos últimos anos, foi um "erro" apostar alto em parcerias com países emergentes e em desenvolvimento e negligenciar outros parceiros importantes - em especial os Estados Unidos, que estão voltando a crescer.

"Acho que quanto mais parcerias melhor", avalia Melguizo. "Até porque, mesmo desacelerando, uma China crescendo 6% ou 7% ao ano vai continuar sendo um dos principais motores da economia global. Não há dúvida de que a transformação econômica que a China está vivendo é, na realidade, uma grande oportunidade para os países que souberem se adaptar para aproveitá-la."

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