Domingo de protestos anti-governo é termômetro para impeachment

Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Manifestantes marcharam rumo ao Congresso em Brasília

Manifestantes contrários ao governo federal voltaram às ruas neste domingo para pressionar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, embora aparentemente menores aos protestos similares realizados anteriormente.

Leia também: Dilma sob ameaça: Veja como é o processo de impeachment

Leia também: Brasil em crise: Três confusões frequentes sobre o impeachment

Até o momento, foram registrados atos em ao menos 22 Estados e no Distrito Federal. Em Brasília, 6 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e 30 mil, segundo os organizadores, marcharam rumo ao Congresso Nacional. Em agosto passado, eram 25 mil, de acordo com a polícia.

Em São Paulo, o protesto está sendo realizado com sete carros de som na Avenida Paulista, palco rotineiro de protestos a favor e contra o governo. A Polícia Militar estimou em 30 mil o total de manifestantes na capital paulista - eram 350 mil, em agosto.

O Datafolha estima em 40,3 mil o público presente no protesto - há quatro meses, eram 135 mil, segundo o instituto de pesquisa.

O senador Aloysio Nunes (PSDB) esteve na Paulista com o rosto pintado de azul. "Esta manifestação maravilhosa é resultado do acúmulo de várias outras, sempre pelo fim do governo petista", disse. "O Supremo está avaliando o pedido de impeachment e nós esperamos rigor e justiça."

Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, também esteve na Paulista e disse à BBC Brasil que nunca foi aliado do president da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Questionado sobre a foto que tirou ao lado do presidente da Câmara, pedindo o fim da corrupção, ele disse que "tiraria do lado do Lula se ele fosse o chefe da Casa. O importante ali era aceitar o impeachment".

No interior paulista, mais 6,5 mil pessoas participaram de manifestações em cidades como Jundiaí, Ribeirão Preto, São Carlos, Piracicaba, Presidente Prudente, Bauru, entre outras.

Image caption No Rio, a praia de Copacabana foi novamente o palco das manifestações

No Rio de Janeiro, pessoas vestindo camisas verde e amarelas se reuniram na orla de Copacabana. A Polícia Militar do Rio disse não fazes estimativas de público em eventos do gênero.

Segundo o movimento Vem Pra Rua, um dos organizadores do protesto, havia 80 mil pessoas. Já o Movimento Brasil Livre, que também está na liderança das manifestações, fala em 100 mil.

Do alto do carro de som, o humorista Marcelo Madureira discursou. "Queremos o Brasil do juiz Sérgio ou do Lula", disse ele. "O impeachment não é o final. O impeachment é o princípio do começo. O trabalho não estará completo enquanto não colocarmos o líder da quadrilha na cadeira. O pior ainda está por vir".

Em Belo Horizonte, manifestantes se reuniram nas praças da Liberdade e Sete. Assim como em São Paulo, outras cidades do Estado também tiveram atos contra o governo, como Uberlândia e Juiz de Fora.

Ainda houve protestos em Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Paraíba, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins.

Leia também: A feminista tunisiana que escandalizou o mundo árabe com seu corpo nu

Termômetro

Direito de imagem AFP
Image caption Ato em São Paulo ocorreu na Avenida Paulista, na região central da cidade
Image caption Rogério Chequer, líder do Vem pra Rua, disse que próximo protesto contra o governo será em março

Nos protestos realizados neste ano contra o governo federal, em 15 de março, 12 de abril e 16 de agosto, centenas de milhares de pessoas participaram e atos pelo país a cada edição.

A expectativa do governo e da oposição para os protestos deste domingo era alta, pois os viam como um primeiro termômetro das ruas diante do processo de impeachment.

A quantidade de pessoas nas ruas neste domingo era tida como determinante para a estratégia do Planalto diante do pedido.

"No dia 13, vamos tirar o 13 do poder", era a inscrição na página do Facebook do grupo Revoltados Online, um dos organizadores dos atos.

Mas, durante toda a semana, grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) já diziam não esperar manifestações do porte dos anteriores, por força do tempo reduzido para mobilização.

Segundo os organizadores, os protestos sincronizados foram marcados às pressas, logo após o acolhimento por Cunha do pedido de impeachment contra a presidente.

Em geral, as manifestações são encaradas pelos movimentos anti-Dilma como um "aquecimento" para novas mobilizações nos próximos meses.

A contraofensiva deverá ocorrer na próxima quarta-feira, dia 16, quando organizações sindicais e movimentos sociais pró-governo como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizarão manifestações contra o impeachment.

À BBC Brasil, Rogério Chequer, líder do movimento Vem pra Rua, anunciou a data do próximo protesto nacional contra o governo. "Acabamos de definir, será em 13 de março, após o recesso em Brasília."

Leia também: Os 10 vídeos mais populares no YouTube em 2015