Em imagens: A ilha cercada de gelo que guarda segredos da vida na Terra

Direito de imagem Vivien Cumming
Image caption As águas cor de esmeralda do fiorde de Milne Inlet, em Baffin

A Ilha de Baffin faz parte do Canadá e fica a oeste da Groenlândia. É a quinta maior ilha do mundo e tem praticamente todo o seu território ao norte do Círculo Polar Ártico.

Durante o longo inverno, a temperatura chega a -40ºC. O verão dura apenas dois meses e o termômetro raramente sobe acima dos 0ºC.

Isso significa que cientistas que fazem trabalhos de campo só conseguem visitar o local durante algumas semanas, entre julho e agosto.

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Image caption Moradores e visitantes falam do aumento do número de icebergs em torno da ilha

Eu cheguei a Baffin no fim de um mês de julho. O helicóptero me deixou em um acampamento em cima de um penhasco de 400 metros de altitude, e desapareceu no horizonte. Lembro-me de ficar ali parada, fascinada pelos fiordes cor de esmeralda aos meus pés, salpicados por faiscantes fragmentos de gelo.

Enquanto esperava a volta dos meus colegas, me diverti com a ideia do que faria se um urso polar aparecesse na minha frente. É algo que passa pela cabeça de todos os que trabalham ali. Estávamos a centenas de quilômetros da civilização, totalmente à mercê da natureza e contando apenas com os pés para nos guiarmos.

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Início da vida na Terra

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Image caption Local atrai cientistas por abrigar rochas capazes de dar pistas sobre o início da vida na Terra
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Image caption No verão, termômetro raramente sobe mais do que 0ºC e certas partes do gelo nunca derretem

A península de Borden, na costa norte de Baffin, contém rochas sedimentares de bilhões de anos atrás, formadas a partir de antigos corais de águas rasas e depósitos de xisto no fundo do oceano.

Elas abrigam fósseis de algumas das formas de vidas mais primitivas do planeta. Fomos até lá para estudar justamente esse material e tentar entender o que aconteceu no início da vida na Terra.

Passamos vários dias vagando pela tundra, procurando por vales e penhascos íngremes onde pudéssemos encontrar sinais de antigos oceanos, recifes e praias.

Como era verão, os dias eram longos. Diariamente, passávamos mais de 12 horas explorando a natureza. Na volta ao acampamento, comíamos alimentos desidratados parecidos com aqueles que os astronautas ingerem.

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Ursos e icebergs

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Image caption As águas puríssimas das nascentes locais abastecem os moradores e escavam as rochas
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Image caption Vista do vilarejo de Pond Inlet, que abriga cerca de 1,5 mil moradores de maioria inuit

Tudo estava correndo como planejado até a chegada da primeira nevasca do inverno – em meados de agosto (alto verão no Hemisfério Norte). O helicóptero não podia vir nos buscar e não podíamos sair para caminhar, então passamos cinco dias jogando cartas no acampamento.

A cada hora da noite, um de nós montava guarda para alertar sobre a possível aproximação de ursos polares. Esses animais saem para caçar apenas nesses breves meses de verão. E, como a camada de gelo do Ártico está diminuindo por causa do aquecimento global, os ursos estão cada vez mais se aventurando pelo interior da ilha.

Quando o tempo finalmente melhorou, fomos de helicóptero até o vilarejo mais próximo, Pond Inlet, onde vive uma comunidade inuit. Passamos alguns dias brincando com as crianças e ouvindo as histórias contadas pelos mais velhos.

Os casos tinham algo de familiar: todos os marinheiros, funcionários do governo e os inuits que encontramos no vilarejo nos falaram sobre o estranho clima de Baffin e de suas perigosas águas cheias de icebergs. Sinais de que há mudanças radicais a caminho.

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Earth