Djibuti, o país que quer se tornar uma 'Dubai africana'

Alamy Direito de imagem Alamy
Image caption O Djibuti é um oásis de tranquilidade em meio à instabilidade da região

“Cercado” por alguns dos países de situação mais instável da África – Somália, Etiópia e Eritreia –, o Djibuti não poderia ser mais diferente de seus vizinhos.

O empobrecido país de 830 mil habitantes está chamando a atenção pelos esforços de modernização, simbolizados pela pretensão de se transformar em uma “Dubai africana” – um polo turístico e econômico.

Entenda por que esses planos não são tão ambiciosos:

Oásis pacífico

Enquanto países fronteiriços enfrentam sérios problemas de segurança, que incluem o crescimento da militância islâmica, o Djibuti é considerado seguro o suficiente para sediar a maior base militar do exército dos EUA na África, sem falar na maior guarnição da Legião Estrangeira francesa.

Há também um exército de 53 mil homens de negócio que visitam o país anualmente. Os turistas, por enquanto, ainda passam longe.

Direito de imagem Alamy
Image caption Projetos de infraestrutura captaram US$ 14 bilhões

Semelhanças

Assim como Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos, o Djibuti é marcado por terreno desértico e impróprio para a agricultura. Por isso, o país quer explorar sua posição geográfica estratégica – está à beira do Golfo de Áden, que tem o mais intenso tráfego naval do mundo – para se transformar em uma espécie hub regional logístico.

Catorze projetos, totalizando US$ 14 bilhões, estão ampliando o sistema de transportes terrestres, aéreos e marítimos do Djibuti até 2035.

O mais importante deles é o novo aeroporto, que terá capacidade para receber 30 vezes mais visitantes.

Direito de imagem Alamy
Image caption País conta com costa de 324km de extensão

Cartão postal

Diferentemente de Dubai, porém, o Djibuti tem paisagens naturais deslumbrantes, com extensos recursos geológicos e marinhos. Sua costa tem 324km de extensão e saída para o Mar Vermelho, atraindo amantes do mergulho.

As ilhas de Mouska e Maskali têm praias paradisíacas e oferecem condições para a canoagem. Moucha, por sinal, ganhará em breve um resort de luxo.

Acomodações ecológicas

Com uma infraestrutura hoteleira ainda modesta, o Djibuti está investindo no que se pode chamar de campings ecológicos: acomodações inspiradas nos assentamentos nômades, marcados por um tipo de tenda feita com esteiras. Estão equipados com eletricidade provida por energia solar, banheiros e chuveiros. De bônus, o céu estrelado que permite ver a Via Láctea a olho nu.

Direito de imagem Alamy
Image caption País mistura elementos europeus e árabes

Sincretismo cultural

A Cidade do Djibuti, capital do país, é o símbolo perfeito para explicar a cultura local: a cidade é marcada pela convivência de elementos arquitetônicos árabes e europeus – o Djibuti foi colônia francesa até 1977, entremeados por mercados de rua e street food. O francês e o árabe também são as línguas oficiais.

Novas conexões

Uma nova ferrovia ligará o Djibuti à Etiópia neste ano, em uma viagem de 10 horas até a capital etíope, Adis Abeba. Isso revolucionará o transporte terrestre, que atualmente se resume à uma perigosa estrada e a um exaustivo percurso de dois dias.