Medo do zika não atrapalha Carnaval Brasil afora

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Image caption O Cordão da Bola Preta, um dos blocos mais tradicionais do Rio, levou milhares de pessoas ao centro da cidade

Milhões de pessoas em todo o Brasil foram às ruas celebrar o Carnaval neste fim de semana, apesar dos temores com o surto do zika vírus.

Em Recife, a cidade mais afetada pela doença, mais de um milhão de pessoas participaram da festa. Em Salvador, que também sofre com a epidemia, o Carnaval também não foi prejudicado.

No Rio, multidões lotaram a Sapucaí para acompanhar os desfiles ou foram às ruas da cidade para participar dos mais de 500 blocos.

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Image caption Em Recife, mulheres se fantasiam com redes de proteção contra o Aedes

Nos últimos dias, autoridades nacionais e internacionais fizeram recomendações sobre a zika para toda a população, mas especialmente para casais esperando bebês. , já que o vírus está ligado à epidemia de microcefalia no país.

Em um dos blocos cariocas, no entanto, várias famílias e foliãs grávidas participavam da festa. Uma delas disse que estava, sim, preocupada com o surto e que estava usando repelente. “Mas a vida não pode parar. É Carnaval.”

Muitas pessoas inclusive usaram fantasias do Aedes aegypti, mosquito que transmite o zika vírus, a dengue e a Chikungunya.

Teste para a Olimpíada

Em vários pontos do Rio, agentes contratados pelo governo e pela prefeitura distribuíam folhetos com informações alertando moradores e turistas sobre os riscos do zika e trazendo medidas para combater o mosquito.

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Image caption Desfile do bloco Galo da Madrugada é um dos pontos altos do carnaval da capital pernambucana

Esse considerado o primeiro teste para medir se o medo da contaminação pelo zika pode afugentar os turistas dos Jogos Olímpicos, que acontecem na cidade em agosto e setembro.

Autoridades brasileiras e o Comitê Olímpico Internacional vêm enfatizando que a Olimpíada vai ocorrer durante o inverno no Brasil, ou seja, quando as condições climáticas são menos favoráveis para a proliferação do mosquito.

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Além disso, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta semana que uma operação para combater o Aedes, com mais de 220 mil homens e mulheres das Forças Armadas, vai ser colocada em prática no dia 13 em todo o país. Vamos nos espalhar por todo território nacional e visitar o máximo possível de casas, para destruir os criadouros do mosquito”, disse Dilma em pronunciamento à nação.

Casos confirmados

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam 404 casos confirmados de bebês com microcefalia e/ou outras más-formações do sistema nervoso central – na semana anterior eram 270, mas até então a pasta citava apenas ocorrências de microcefalia ao divulgar os números.

No total, há 3.670 bebês com suspeita de terem microcefalia em casos registrados em nove estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

O boletim do Ministério da Saúde também informou que foram notificados 76 óbitos por microcefalia e/ou alteração do sistema nervoso central após o parto (natimorto) ou durante a gestação (aborto espontâneo)