Start-up britânica aposta em carro compacto a hidrogênio

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Image caption Rasa será movido a hidrogênio e terá autonomia de 482 quilômetros entre cada recarga

Quando em 2014 a start-up Riversimple, sediada no País de Gales, anunciou sua primeira criação, um “demonstrador de tecnologia” movido a hidrogênio, ficou claro que o que eles tinham em mente era criar um carro de verdade.

Na época, o fundador da empresa, Hugo Spowers, disse que sua equipe estava repensando a mobilidade “a partir de uma folha em branco”. Na semana passada, eles apresentaram ao público seu primeiro protótipo: um carro de dois lugares batizado de Rasa.

Para a Riversimple, seu principal negócio não é a fabricação de veículos, mas sim de um “sistema de mobilidade” que responda às atuais limitações econômicas e ambientais.

A proposta da empresa é que o dono de um Rasa pague uma taxa mensal pelo carro e por um pacote que inclui manutenção, seguro e combustível. Na apresentação do modelo, a Riversimple usou e abusou de frases como “design integral de sistema” ou “criação de valor” para usuários, investidores e o meio ambiente.

Autonomia e design

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Image caption Modelo adota ousadas portas de asa de borboleta

Mas se o manifesto da start-up é pesado, o Rasa é exatamente o contrário. Ele tem meros 580 quilos e é formado por peças em fibra de carbono. Movido a hidrogênio, o carro é feito para circular pelas ruas em trajetos rotineiros.

O modelo é pequeno, mas exibe ousadas portas de asas de gaivota, além de ter uma aerodinâmica bulbosa que lembra muito os carros de Fórmula 1 e a primeira geração do Honda Insight.

O propulsor de célula de combustível é descrito como um “sistema elétrico em rede”. Quatro motores usam a energia recuperada nas freadas para recarregar supercapacitadores (que se recarregam mais rapidamente do que as baterias convencionais).

Isso significa que as células de combustível de hidrogênio dispensam o uso de energia para aceleração – consumindo apenas o suficiente para manter o Rasa circulando no trânsito.

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Image caption Maior obstáculo, por enquanto, é a escassez de estações de reabastecimento de hidrogênio

O carro é capaz de atingir 96 quilômetros por hora, e seu tanque de hidrogênio comprimido dá a ele uma autonomia de 482 quilômetros entre cada recarga – o equivalente a 88,5 quilômetros por litro.

Por enquanto, o maior desafio do Rasa são as recargas. Há dois anos, os veículos movidos a hidrogênio pareciam fazer parte de um novo futuro no mundo dos transportes. Mas a falta de infraestrutura e as críticas ao consumo de energia não limpa usada na fabricação desse combustível acabaram trazendo um desânimo ao setor.

Na Grã-Bretanha existem apenas quatro estações de reabastecimento de hidrogênio acessíveis ao público. Mas a Riversimple acredita que esse é um problema temporário.

Sua estratégia é produzir apenas alguns milhares de modelos em fábricas locais do País de Gales, e depois montar estações de reabastecimento na região. Mesmo que se criem pequenas comunidades isoladas movidas a hidrogênio, é possível que um dia se forme uma malha dessa rede sustentável que cubra todo o país.