Chinês gasta economias e constrói aeronave no jardim por sonho de infância

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Image caption Shi Songbo durante o primeiro voo na vila de Lvji, na cidade de Shangqiu; o jovem diz que sempre foi fascinado por voar e queria tentar sozinho.

O homem sonha há séculos em poder voar como um pássaro. Naturalmente, muitos podem fazer isso apenas entrando em um avião. Mas um chinês da província de Henan chamado Shi Songbo foi além.

Shi gastou 300 mil yuans (cerca de R$ 180 mil) em economias dele e da família para construir sua própria aeronave.

"Cresci na fazenda, e nunca havia pisado em um avião. Algo que voasse no céu era muito grande, e sempre sonhei em poder olhar de cima para a mãe Terra", conta o inventor.

Embora a família de Shi seja formada há gerações por fazendeiros, seu irmão mais velho estudou no Instituto de Engenharia Aeronáutica de Xi'an, na China central.

Como resultado dos estudos, o irmão sempre trazia para casa revistas de engenharia aeronáutica e material de pesquisa, e Shi logo se interessou por técnicas de construção de aeronaves.

O rapaz de 29 anos acabaria trabalhando como designer em uma empresa de aeromodelismo, onde aprendeu mais sobre a composição de um avião.

Primeiros passos

No final de 2014, ele começou a pesquisar um caminho para fazer sua própria aeronave. Em junho de 2015, deixou o emprego e passou a se dedicar inteiramente ao projeto.

"Acabei com essa aeronave que atende às condições locais, não precisa de uma pista longa. Também decidi que algo mais barato seria melhor para mim, porque sei que a maior parte da tecnologia que envolve posso fazer sozinho", afirmou Shi.

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Image caption O dirigível levou quatro meses para ficar pronto.

O jovem chinês construiu um zepelim, um balão dirigível rígido de invenção alemã e formato alongado, comum em travessias transatlânticas com passageiros na década de 1930.

A aeronave tem 10 metros de altura e 23 de comprimento. A construção começou no próprio jardim de Shi, e depois teve que ir para um campo aberto.

"É o menor cockpit de dois lugares do mundo. Pode ir rapidamente para cima e para baixo, controlado por eletrônica", diz o inventor.

Acostumados com a vida calma no interior, vizinhos zombavam da ideia de Shi. "Acho que riam de mim em segredo", afirma.

No ar

No último dia 25 de outubro, o zepelim fez seu primeiro voo de teste. "O maior desafio foi a decolagem vertical e aterrissagem. Depois encher o balão com hélio. Em um campo aberto com vento forte era um grande desafio."

Shi diz que teve que tomar coragem para ligar o motor de sua invenção. "Quando estava tudo pronto, foi suave. Ligue, ajustei equipamentos, acelerei e tudo funcionou."

Ele descreveu o voo de duas horas, a cerca de 40 metros de altura, como "espetacular". "Vi coisas em perspectiva pela primeira vez, minha vila, meu distrito e meu condado. Posso dizer que fiz um avião do zero, esse sentimento é incrível."

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Image caption Equipe envolvida no projeto; inventor tomou dinheiro emprestado de familiares e gastou cerca de R$ 180 mil na empreitada.

O passeio de duas horas envolveu oito decolagens e aterrissagens. Foi preciso cuidado com cabos baixos de alta tensão e uma falha desligou o motor por um curto período.

O jovem afirma ter ficado "desapontado" com a reação de vizinhos após o voo. "Começaram a rir novamente e perguntar por que havia gastado todo aquele dinheiro."

Ajuda da família

Para tornar seu sonho realidade, Shi usou parte de suas economias e tomou dinheiro emprestado de parentes - até a empresa da irmã e os recursos do casamento do cunhado entraram na empreitada. "Meu cunhado não pôde se casar, mas voou", brinca.

O zepelim voa a até 48 km/h, e o inventor diz que se trata de uma aeronave fácil de voar, barata e segura.

"Com certeza é segura. No passado havia balões com hidrogênio, que é muito inflamável. Hoje usa-se hélio, que é bem mais estável. O único problema é que é caro."

O protótipo de zepelim ainda precisará de testes adicionais, mas Shi espera construir outra aeronave para operações comerciais, como distribuição de pesticidas e turismo.

"Minha mulher não ficou muito feliz com toda a história, mas no fundo acho que ela me apoia. Sabe que era uma chance única", afirma o inventor e criador da própria aeronave.