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Morre Foday Sankoh, ex-líder rebelde de Serra Leoa

O ex-líder rebelde de Serra Leoa Foday Sankoh, responsável por uma campanha de terror de dez anos no país, morreu na terça-feira.

Ele esperava para ser julgado por crimes de guerra.

Sankoh, que tinha 70 anos, faleceu por causa de complicações de saúde decorrentes de um derrame que sofreu no ano passado.

Ele fundou a Frente Revolucionária Unida (FRU), que ficou conhecida por aterrorizar a população com uma campanha de estupros em massa e amputações que marcou a guerra do país (1991-2002).

Uma nota divulgada pelo gabinete do promotor do Tribunal Especial para Serra Leoa, no qual Sankoh estava sendo julgado, afirma que seus atos deixaram um "legado de horror nas mentes e memórias daqueles que sobrevivem a ele".

"(Sankoh) foi privilegiado com o fim pacífico que ele mesmo negou a tantos outros", afirma a nota.

Mortos

A guerra em Serra Leoa deixou um número de mortos estimado em pelo menos 30 mil e milhares de pessoas mutiladas, sendo considerada um dos mais sangrentos conflitos do continente africano.

Foday Sankoh foi detido em 2000, depois que um grupo de combatentes da Frente Revolucionária Unida atiraram em manifestantes que se aglomeraram em um protesto em frente à sua casa, em Freetown, a capital do país.

Sankoh era acusado de crimes contra a humanidade, incluindo assassinatos, estupros, escravização sexual e extermínio.

O fim da guerra de Serra Leoa foi declarado oficialmente em 2002 após intervenções militares da Grã-Bretanha e da ONU no país.

Saúde ruim

No mês passado, o oficial de registros do tribunal, Robin Vincent, disse que o tribunal queria enviar Sakoh a outro país para receber tratamento médico.

No entanto, nenhum país teria se disposto a aceitar o ex-líder rebelde.

Ele estava internado desde abril no hospital de Freetown.

No início deste mês, médicos que tratavam de Sakoh definiram o seu estado como catatônico – o ex-líder rebelde não conseguia mais andar, falar nem se alimentar sozinho.

Apesar da saúde ruim, Sankoh – conhecido como Popay entre os rebeldes que comandava – disse a jornalistas no ano passado que ele era um "deus vivo".