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Atualizado às: 25 de agosto, 2003 - 15h30 GMT (13h30 Brasília)
 
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Damon Hill acha que informação é tudo
 

 
Georgie, Oliver e Damon Hill
Oliver é o mais velho dos quatro filhos de Georgie e Damon Hill
 

Oliver, o primeiro dos quatro filhos do ex-campeão de Fórmula 1, o inglês Damon Hil, nasceu com a síndrome de Down há 14 anos e sua chegada foi anunciada pelos médicos de forma traumática.

Ainda no hospital, em Londres, os médicos avisaram a Damon e Georgie Hill que o casal tinha duas opções: encarar uma vida difícil pois a criança poderia, no máximo, um dia, aprender a varrer o chão, ou dá-lo para adoção.

Hoje, Damon e Georgie Hill participam da diretoria da Down's Syndrome Association, a organização nacional que centraliza as várias associações britânicas que tratam das questões relacionadas à trissomia 21.

Damon Hill se aposentou das corridas mas de vez em quando volta a pilotar em eventos para arrecadar fundos para a instituição.

A família mora na República da Irlanda mas, durante uma passagem por Londres, Damon e George Hill deram esta entrevista exclusiva para a BBC Brasil.

BBC Brasil: Como vocês reagiram ao diagnóstico de que Oliver tinha nascido com a síndrome de Down?

Georgie Hill: Eu fiquei realmente arrasada. Era nosso primeiro filho e tínhamos altas expectativas em relação a ele. Uma vez, li na revista da Down Syndrome Association uma analogia que considero muito pertinente. É como se nós nos preparássemos para uma viagem para o Caribe mas, ao sair do avião, a gente se visse na Holanda. Nada contra a Holanda mas é bem diferente do Caribe e você não se sente preparada para aproveitar a viagem.

Nós não tivemos muita ajuda da equipe médica do hospital. Foram 48 horas muito deprimentes para mim. Depois disso, a mãe-natureza baixou em mim. Oliver era o meu filho e o que interessava é que ele era um bebê saudável.

BBC Brasil: E quem é Oliver?

Damon Hill: Ele é um típico jovem de 14 anos. Ele quer fazer as coisas da maneira dele, dar a sua opinião, brigar comigo... Ele é menos complicado que os nossos outros filhos mas mais íntegro. Temos um filho de 12 anos, Joshua, e eles estão bem próximos em termos de desenvolvimento mas eu confesso que o Oliver é bem mais seguro que Joshua. Enquanto Joshua é mais cerebral, Oliver faz sentido das coisas de maneira instintiva.

BBC Brasil: OLiver foi o primeiro filho de vocês que tiveram mais três. Você teve medo de ter outro filho com Down?

Georgie Hill: Nós decidimos ter outro filho logo pois achamos que seria bom para o Oliver ter um irmão ou uma irmã próximos em idade para incentivá-lo. Mas foi o oposto que aconteceu já que Oliver é muito atirado e Joshua é muito tímido.

Depois do nascimento de Joshua, nós chegamos à conclusão de que devíamos relaxar e ver o que Deus nos reservava. E somos muito felizes pois todos os nossos quatro filhos, incluindo Oliver, são crianças muito saudáveis, e é só isso que importa.

BBC Brasil: Damon Hill, seu pai, Graham Hill, foi campeão de Fórmula 1, e você repetiu o feito, numa profissão dominada pela pressão de chegar em primeiro lugar. Isso tudo de alguma maneira interfere nas suas expectativas em relação ao Oliver?

Damon Hill: Nós sabemos que, como seres humanos, nossa vida não é uma corrida, não é simplesmente chegar antes de todo mundo. A Fórmula 1 é um esporte fantástico, muito intenso, pura competição, mas não é a vida. Nós sabemos também que para nos sentirmos bem como seres humanos é preciso ajudar os que não são tão rápidos ou eloqüentes como nós. Oliver é como qualquer criança que precisa ser incentivado e ajudado. Mas ele também tem que lidar com um certo nível de pressão. Oliver vai à escola, tem deveres de casa, precisa se vestir sozinho...ele não gosta, como qualquer jovem, mas faz...

Georgie Hill: O fato de Oliver ter Down não significa que ele tem algum favoritismo sobre os nossos outros três filhos. Mesmo que a gente fizesse isso, os outros não iam deixar passar.

Damon Hill: Mas existe uma grande honestidade em Oliver que não há nas outras crianças da família. Ele está em paz consigo mesmo. Ele vive o presente, não está preocupado com o próximo brinquedo, com a próxima novidade. Acho que Oliver é um rapaz feliz pois se sente amado pela família. Ele tem as suas prioridades resolvidas.

BBC Brasil: O que estaria faltando para que as pessoas que nasceram com Down fossem mais integrados à sociedade?

Georgie Hill: Acho que as coisas estão indo cada vez melhor, pelo menos na Grã-Bretanha. As crianças com síndrome de Down estão sendo encaminhadas diretamente para as escolas ditas normais. Quando o Oliver nasceu, há 14 anos, a gente teve que batalhar muito para que ele pudesse freqüntar uma escola regular. Além disso, nos últimos tempos, a gente está vendo cada vez mais pessoas com Down na televisão e a mídia está dando mais cobertura para as questões relacionadas à trissomia 21.

Damon Hill: Informação é importante e quando digo isso, não estou pensando na população que tem Down e sim na sociedade em geral. A maior parte dos problemas em relação à integração dos portadores da síndrome vem do fato de que a sociedade não está exposta aos que têm alguma deficiência. As pessoas não sabem como lidar com os deficientes, como incorporá-los em suas vidas. Esta é, para mim, a batalha principal para a integração da população que nasceu com a síndrome de Down.

 
 
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