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Atualizado às: 27 de agosto, 2003 - 17h56 GMT (14h56 Brasília)
 
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Time com 22 brasileiros quer disputar campeonato inglês
 

 
Jogadores do Brazilian Show Football
O grupo de 25 jogadores do BFSSC conta com apenas três ingleses

Foi um inglês, Charles Miller, quem levou a primeira bola de futebol para o Brasil. Agora, um grupo de brasileiros sonha disputar – no berço do futebol – o campeonato inglês e mostrar o que aprendeu em mais de cem anos.

O Brazilian Football Show Sport Club (BFSSC) inscreveu 25 jogadores na Football Association, a CBF inglesa, e só três deles são ingleses.

O elenco mistura amadores e jogadores de experiência profissional, como o lateral-direito Dinho (ex-Cruzeiro, Santos e Atlético Mineiro); o zagueiro Fábio Caran (que jogou na Grécia e na Venezuela); o volante Alex Pessotte (ex-Bahia e Atlético); entre outros atletas.

A equipe foi formada há apenas quatro meses e vai disputar, a partir do dia 6 de setembro, a liga local Middlesex FA –que reúne times de Londres e arredores –, mas já conta com uma estrutura de dar inveja a muito time profissional no Brasil.

"Chegar à Premiership (a primeira divisão do futebol inglês) é uma longa caminhada. Vamos jogar a Middlesex, depois a Ryman's, depois a Ryman's Conference, depois a Conference 3ª Divisão, 2ª , 1ª e Premiership", explica o técnico da equipe, Paulo Cézar, ex-jogador do Fluminense e do Cruzeiro, acrecentando que o plano é de longo prazo.

"Se nós formos vencendo todas as competições, precisaremos de uns dez anos para chegar até a Premiership."

Pé direito

A estréia do time em um amistoso, na segunda-feira, não poderia ter sido mais auspiciosa: 8 a 0 sobre o Saint Anthems Football Club, do sul de Londres.

"Espero que os meus jogadores peguem um pouco deste talento por osmose", brincou o técnico do time derrotado, Gary McCrea.

O inglês Micah Evans, que soube do amistoso por intermédio de um amigo e não resistiu à curiosidade de ver o time brasileiro jogar, também elogiou a atuação.

O lateral direito Dinho
Dinho é um dos poucos que conseguem viver do futebol

"Esses caras estão em um nível mais alto. Dá para perceber a categoria. Acho que eles estão muito bem, e esse é apenas o primeiro jogo deles", disse Evans.

Para realizar o sonho da Premiership, o BFSSC alugou um estádio com capacidade para mil espectadores, contratou a fisioterapeuta Andresa Ferreira, encomendou equipamentos de musculação, comprou seguros médico-hospitalares para todos os 25 jogadores inscritos na FA e mandou fazer três modelos de uniformes: dois para jogos e um para treino.

Apesar da boa estrutura, os jogadores, por enquanto, ainda não recebem nada e têm que trabalhar em outras áreas para ganhar a vida.

"O problema maior é horário para treinamento porque aqui em Londres todo mundo tem seus afazeres, então, a dificuldade aumenta. Mas estamos treinando dois dias por semana à noite e tenho certeza de que vai dar para chegar lá", afirma Dinho, que dá aulas de futebol para ingleses em uma escola junto com o técnico Paulo Cézar.

Vida dupla

Dinho e Paulo Cézar, no entanto, são exceções. Para a maioria dos seus colegas de equipe, o trabalho que garante o sustento passa longe dos campos de futebol.

"Desde que o meu empresário me abandonou aqui na Grã-Bretanha, depois de dizer que ia me levar para o Ajax, tive que me virar. Hoje sou courier de moto", conta o meia-esquerda Struett, que teve a sua trajetória interrompida por um rompimento nos ligamentos do joelho direito quando fazia a sua estréia em amistosos pelo time profissional do Paraná.

A história do volante Alex Pessotte, que já atuou pelo Bahia, pelo Atlético Mineiro e pelo LKS, da Polônia, foi ainda mais difícil.

"Um empresário português me trouxe para cá, mas não cumpriu as promessas e estou me virando com bicos. Faço até faxina", conta o jogador capixaba.

Já o zagueiro Fábio Caran, que estuda inglês na Grã-Bretanha há oito meses, paga as contas com o seu emprego na lanchonete Subway.

Todos os jogadores estão na Grã-Bretanha legalmente. Alguns, como Caran, ainda com vistos de estudante, e vários outros com passaportes de outros países europeus.

Vistos

O técnico Paulo Cézar ainda não sabe quando vai poder pagar salários aos jogadores, mas não se preocupa com a questão dos vistos de trabalho.

"O visto de trabalho requer que haja um clube interessado no trabalho do atleta. Se, porventura, o Brazilian Football Show estiver interessado e tiver condições de contratar um jogador do Brasil para jogar aqui, não deve haver nenhuma dificuldade", diz o técnico.

Para o atacante Darren Valapinee, um dos três "gringos" do time, as dificuldades são outras.

"Existe a barreira da língua, apesar de nos sentirmos muito bem entre os brasileiros. É como um sonho para mim, jogar com brasileiros", conta.

Nas preleções, Paulo Cézar supera essa dificuldade fazendo, ele mesmo, uma versão em inglês para os "estrangeiros".

Paulo Cézar, técnico do BFSSC
Paulo Cézar faz as suas preleções em inglês e em português

Mas na maior parte do tempo, são os próprios colegas que se encarregam da tradução simultânea.

"É bom ter ingleses em campo para facilitar a comunicação e até os bate-bocas com os adversários", ressalta o patrocinador Victor Nascimento, gerente da Uno Money Transfer, uma empresa brasileira especializada em transferências de valores para o Brasil.

Patrocínio

Além da Uno, por trás da estrutura do Brazilian Football Show está também a Igreja Batista em Salmon Lane, liderada por David Smith.

"O futebol existe há muito tempo, a nossa igreja também. Estamos casando ambos para ver se isso traz benefícios à missão", diz Smith.

Para ele, o Brazilian Football Show é também uma forma de realizar a obra de Deus.

"O futebol é também uma forma de evangelizar, contar às pessoas sobre Jesus Cristo e enfatizar qual deveria ser o objetivo do esporte. Não é apenas ganhar o jogo, mas jogá-lo, e fazer a coisa certa. Se você fizer a coisa certa, Deus vai abençoá-lo com uma vida melhor", afirma Smith.

Sem falar em números, os dois patrocinadores dizem não estar poupando.

"Para nós, isso não é para a gente comprar um jogo de camisas e botar um monte de brasileiros para fazer alguma coisa no sábado e domingo, para daqui a 48 semanas perder o campeonato e parar de jogar, cada um triste para o seu lado", diz Nascimento.

"Esse time aqui vai, se Deus quiser, até o fim. Vamos alcançar o que der para alcançar. Desistir, aqui, ninguém vai desistir."

 
 
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