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Atualizado às: 25 de outubro, 2003 - 11h39 GMT (09h39 Brasília)
 
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Análise: Oligarcas russos estão sob pressão
 

 
Boris Yeltsin e oligarcas russos
Os oligarcas russas chegaram ao auge no governo de Yeltsin

Os "oligarcas" da Rússia ganharam destaque no início dos anos 1990, quando empresários com boas ligações tiveram permissão de pegar os remanescentes da economia soviética falida.

Durante o governo do presidente Boris Yeltsin, os grandes empresários começaram a ter também enorme poder político, que combinavam com sua força econômica.

No entanto, a sorte deles mudou com o presidente Vladimir Putin, que tem buscado demonstrar aos oligarcas quem está no poder.

Alguns foram forçados a se exilar e outros avisados a ficar fora da política.

Bônus

A subida dos grandes empresários começou em 1992, quando uma equipe de jovens reformadores liderados por Anatoly Chubais começou a criar um sistema baseado na economia de mercado.

Eles criaram um esquema em que cada cidadão russo recebia um bônus, representando sua parcela da riqueza nacional.

Os bônus não tinham valor para milhões de russos empobrecidos, que decidiram vendê-los a preços baixos a empreendedores. Esses empreendedores acumularam enormes ativos.

A privatização de empresas estatais foi manchada por preços arranjados, mas o governo da época via isso como um mal menor, comparado ao peso no orçamento das indústrias subsidiadas.

Bolo estatal

Como resultado desse processo, um pequeno grupo de empresários adquiriu quase a metade de todos os ativos financeiros da Rússia.

Entre os pioneiros, e o mais rico, está Boris Berezovsky, que começou seu império empresarial com um negócio que lhe garantia direitos exclusivos na venda de carros Lada.

As oligarquias também iniciaram guerras brutais entre elea, na disputa pelas melhores fatias do bolo estatal.

Coalizões eram formadas e abandonadas, buscavam aliados, para depois abandoná-los.

Os oligarcas chegaram ao seu auge em 1996. Para eles, era essencial que Boris Yeltsin continuasse presidente.

A reeleição dele é atribuída, em larga escala, a campanha que os oligarcas fizeram por meio de conglomerados da mídia que controlavam.

Naquela época, todas as áreas significativas da mídia na Rússia que estavam no setor privado eram controladas por dois oligarcas, Berezovsky e Vladimir Gusinsky.

Reação

Quando Yeltsin deixou o cargo, na véspera do Ano Novo de 1999, os empresários esperavam manter a mesma influência sobre seu sucessor.

Um choque terrível esperava por eles. Vladimir Putin estava determinado a quebrar o poder que eles tinham sobre a política na Rússia.

Boris Berezovsky e Vladimir Gusinsky foram forçados a ir para o exterior, Londres e Israel, respectivamente.

A outros foi dado a entender que poderiam manter seus interesses empresariais se ficassem fora da política.

Esse acordo tácito parecia estar funcionando até que se descobriu, no primeiro semestre de 2003, que o presidente da Yukos, Mikhail Khodorkovsky, estava financiando partidos políticos que fariam oposição ao presidente Putin nas eleições de dezembro de 2003.

Desde então, a Yukos foi submetida a incursões da polícia tributária. O chefe de sua contabilidade, Platon Lebedev - que também é um oligarca - foi preso e está aguardando julgamento por acusações de roubar propriedade estatal durante a privatização de 1994.

Khodorkovsky - apontado como o homem mais rico da Rússia e um dos oligarcas mais destacados - está enfrentando novas investigações.

Fuga de capital

A grande questão agora é se os oligarcas poderão manter seus interesses empresariais sem qualquer dificuldade.

O bilionário Roman Abramovich parece ser um exemplo daqueles que, por enquanto, está sendo deixado em paz pelo Kremlin.

Ele comprou o Chelsea, clube de futebol na Grã-Bretanha, com alguns trocados. O que são US$ 200 milhões (cerca de R$ 600 milhões) quando se é milionário?

Mais significativo, porém, do ponto de vista dos negócios na Rússia, foi ele ter vendido as ações que tinha na Aeroflot e metade da sua participação na gigante de alumínio RusAl.

Se o Kremlin concluir que isso está estimulando a fuga de capitais da Rússia - tendência dos anos 1990, que Putin se vangloria de ter revertido -, Abramovich ainda pode sentir o peso do sistema.

Em recente conversa com Berezovsky, ele disse que um maior número dos grande atores estavam agora retirando seus bilhões.

Segundo ele, dez grandes empresários russos compraram vastas propriedades em Londres recentemente.

Economistas alertaram Putin para que não interfira com os grandes empresários, dizendo que isso pode ter consequências desastrosas para a saúde da economia.

Se os oligarcas "se comportarem" politicamente, é altamente possível que a nova Duma a ser eleita em dezembro vai definir os limites da privatização dos anos 1990, deixando os oligarcas com seus ganhos financeiros, mas não políticos.

 
 
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