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Atualizado às: 07 de novembro, 2003 - 20h21 GMT (18h21 Brasília)
 
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Namíbia é limpa e não parece África, diz Lula
 

 
Lula, na Namíbia (Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil)
Lula deposita flores no Monumento aos Heróis da Namíbia
 

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o discurso de despedida da viagem à Namíbia, provocou constrangimento na comitiva brasileira.

"Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e têm um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula, depois de afirmar que estava positivamente surpreso com o continente.

O discurso do presidente, que abriu mão de ler um discurso preparado pelo Itamaraty para falar de improviso, foi traduzido do português para o inglês pelo tradutor da comitiva brasileira, que traduziu a palavra limpa por bonita.

Diante do silêncio dos ministros e jornalistas que acompanham a visita oficial de Lula à África, o presidente tentou explicar o que quis dizer.

"A visão que se tem da América do Sul, e especialmente do Brasil, é que é um continente de índios pobres. E a visão que se tem da África é de um continente só de pobres, quando, na verdade, se não fosse o grande tempo de colonização e se não fossem as guerras internas, certamente os países africanos já teriam crescido de forma extraordinária", afirmou o presidente.

'Exemplo'

O discurso de Lula foi acompanhado por um comunicado conjunto com o presidente da Namíbia, Sam Nujoma, para marcar o fim da visita da delegação brasileira ao país.

O presidente chegou a Windhoek no fim da tarde de quinta-feira e permaneceu pouco mais de 24 horas na cidade.

Depois da gafe, Lula retomou o tom elogioso do discurso, e destacou a importância de uma cooperação maior entre Brasil e Namíbia.

"Acho que a Namíbia é um exemplo extraordinário pela sua infra-estrutura, pelo combate à corrupção, pela democratização da política e pela dedicação do governo à parte mais pobre da população", disse o presidente.

De acordo com Lula, a África não precisa de favores, e sim de mais oportunidades, parcerias e que o "resto do mundo dê uma chance" à região – em uma referência aos apelos dos países em desenvolvimento por regras mais justas no comércio internacional.

"Vamos provar que não nascemos para ser pobres e podemos competir em igualdade de condições", afirmou.

Os dois países assinaram oito acordos de cooperação nas áreas de saúde, educação, indústria naval, mineração e outros.

Lula também fez um discurso no encerramento de um encontro de empresários dos dois países, do qual participaram cerca de 50 empresas brasileiras.

O comércio entre os dois países ainda é incipiente, mas de acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, existe um grande potencial de crescimento. Hoje o Brasil exporta basicamente móveis, mas há interesses de empresas nas áreas de alimentos, bebidas, automotiva e outras.

África do Sul

De Windhoek, Lula foi para Pretória, na África do Sul, onde foi homenageado num jantar pelo presidente do país, Thabo Mbeki.

No discurso, voltou a afirmar que o Brasil tem uma dívida com a África e defendeu o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O presidente resolveu antecipar a volta para o Brasil das 17 horas para 13 horas deste sábado, no horário local (9 horas de Brasília). Lula e a comitiva fazem uma parada na Namíbia para troca de avião e em seguida embarcam para o Brasil.

Lula deveria, inicialmente se encontrar com o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, mas de acordo com a assessoria do presidente, ele desistiu porque Mandela está muito distante de Pretória, a uma hora e meia de helicóptero.

Lula tem uma reunião de trabalho com o presidente sul-africano e depois um encontro com lideranças sindicais e com o presidente do Banco de Desenvolvimento da África Austral, Jay Naidoo.

 
 
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