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Atualizado às: 09 de fevereiro, 2004 - 17h31 GMT (15h31 Brasília)
 
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Análise: Rei tenta dar papel político às mulheres da Jordânia
 

 
 
Mulher na Jordânia
A Jordânia tem papel essencial no cenário político do Oriente Médio
A Jordânia está embarcando em um processo de reformas radicais com o objetivo de modernizar o sistema político do país.

Uma das principais reformas incentiva o envolvimento das mulheres nos assuntos públicos.

O monarca do país, rei Abdullah, está por trás do movimento para dar um papel mais ativo às mulheres no processo político.

No ano passado, ele dissolveu a câmara alta do Parlamento e nomeou sete mulheres – um recorde histórico – para um comitê composto de 55 membros.

Ele também criou um sistema de quotas especiais para assegurar que mulheres sejam eleitas para a câmara baixa, onde elas somam agora seis dos 110 membros.

Mudanças

O rei também indicou uma ministra, Asma Khader, para servir como porta-voz do governo.

Asma é uma conhecida advogada defensora dos direitos humanos, particularmente os direitos das mulheres.

O primeiro-ministro da Jordânia, Faisal Fayez, por sua parte, também encorajou organizações feministas que incentivem o desenvolvimento político no país.

 A sociedade da Jordânia é muito conservadora. É uma sociedade de homens.
 
Wijdan Talhouni Saket

Mas alguns questionam se as mudanças que vêm de cima vão funcionar na tradicional sociedade da Jordânia.

A recém-apontada senadora Wijdan Talhouni Saket disse que o rei Abdullah está dando o exemplo certo ao ajudar a construir uma democracia.

“A sociedade da Jordânia é muito conservadora. É uma sociedade de homens”, disse.

“Normalmente, os homens nunca cedem seus lugares com facilidade para as mulheres se nós não lutamos por eles. Acho que isso é um primeiro passo.”

Wijdan afirmou que as mulheres nomeadas e eleitas pelo sistema de quotas no Parlamento são, em sua maioria, ativistas.

“Tenho certeza que vamos fazer muito porque temos os meios, a experiência e, agora, somos encorajadas pelo rei Abdullah e pela rainha Rania.”

Conservadorismo

Para alguns críticos, será preciso mais do que maior participação das mulheres no Parlamento para mudar o cenário político da Jordânia.

A ex-ministra da Informação, Leila Shaaf, afirmou que, inicialmente, ela não aprovou o sistema de quotas para mulheres.

Rei Abdullah
O rei Abdullah, da Jordânia

“Fui contra, a princípio, porque achei que a quota poderia trazer mulheres que não são experientes na vida pública, que são muito conservadoras para incentivar os direitos das mulheres ou que podem enfraquecer o movimento por direitos das mulheres.”

Leila alega que a atual lei eleitoral de “uma pessoa, um voto” não vai quebrar o estigma contra o voto feminino.

O sistema de quotas terá de ser usado nas próximas eleições parlamentares, ela diz, até que os cidadãos da Jordânia fiquem acostumados em ver mulheres nas repartições públicas.

Exceções

O analista Joost Hiltermann, do instituto de pesquisas Grupo de Crises Internacionais, em Amã, concorda.

“Essa é uma sociedade conservadora, tradicional. Mulheres podem concorrer nas eleições, mas as chances de ganharem não são boas”, comentou.

“Em uma eleição livre e justa em que você é eleito como um cidadão da Jordânia, é muito difícil que mulheres sejam eleitas.”

“Isso é a realidade. Nós estamos falando sobre exceções e não sobre a regra.”

Ele diz que essa razão faz com que a interferência pessoal do rei para introduzir as mudanças seja plausível.

“Nomear mulheres para cargos públicos pode ser um bom modelo. Aqui, mulheres estão assumindo posições de autoridade. Não há nada de errado com isso.”

Embora essa seja apenas uma das muitas mudanças que o rei Abdullah está introduzindo, críticos dizem que o poder ainda está muito concentrado no monarca.

O rei, de 42 anos, deverá enfrentar uma batalha difícil para criar o tipo de sociedade que ele quer criar e tornar um exemplo para o resto do Oriente Médio.

 
 
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