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Atualizado às: 29 de março, 2004 - 20h24 GMT (16h24 Brasília)
 
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Descendentes de escravos vão processar seguradora
 
Gravura mostra o tráfico de escravos
Vítimas dizem ainda sofrer as conseqüências da escravidão
Descendentes de escravos africanos nos Estados Unidos vão processar a empresa de seguros Lloyds of London por ter segurado os navios usados no tráfico.

O advogado americano Edward Fagan, responsável por acordos com empresas suíças no caso do ouro apropriado pelos nazistas, está representando dez descendentes.

Fagan diz que, ao segurar navios negreiros entre os anos de 1700 e 1800, a mais antiga seguradora britânica desempenhou um importante papel no tráfico.

Segundo a ação, iniciada nesta segunda-feira, os descendentes ainda sofrem com as conseqüências. Os envolvidos na ação fizeram testes de DNA para provar que têm vínculos com ancestrais, que, de acordo com registros, viajaram da África para os Estados Unidos.

Uma das vítimas diz possuir a apólice de seguro referente ao navio em que seu ancestral viajou.

Conseqüências

Fagan está levando para o tribunal várias partes envolvidas, incluindo a seguradora Lloyds.

"A Lloyds sabia que o que estava fazendo levou à destruição de populações indígenas", disse o advogado à BBC. "Ela pegou essas pessoas, colocou-as em navios e destruiu suas identidades", acrescentou.

O advogado negou que o fato de os eventos terem ocorrido em um passado muito longínquo possa interferir no processo. "Essas pessoas sofrem com as conseqüências ainda hoje."

A seguradora Lloyds, fundada no século 17 por Edward Lloyd, oferecia cobertura a mercadores que transportavam escravos e produtos entre a África, as Américas e o Caribe em um período em que muitas embarcações naufragavam ou caíam nas mãos de piratas.

A Grã-Bretanha aboliu a escravidão em 1830 e os Estados Unidos seguiram o exemplo 30 anos depois.

Durante o período de tráfico, calcula-se que mais de 10 milhões de pessoas foram compradas em portos na África Ocidental e colocadas em navios negreiros.

Uma das descendentes, Deadria Farmer-Paellman, afirma que o tráfico de escravos a privou de sua identidade. "Hoje, sofro por não saber quem sou, por não possuir nacionalidade e não pertencer a um grupo étnico", disse Farmer-Paellman.

Reação

Lincoln Crawford, presidente do grupo de estudos sobre escravidão do Ministério da Justiça britânico e membro de um grupo de aconselhamento sobre igualdade racial, afirma que a ação é importante.

"Não há dúvida de que a escravidão foi um crime contra a humanidade e, para muitos negros, as conseqüências da escravidão ainda são presentes hoje", disse Crawford.

Ele afirma, no entanto, que é difícil imaginar como os descendentes podem sair vitoriosos, mas acrescentou: "Gostaria que saíssem."

O advogado Fraser Whitehead, ex-diretor de litígio civil da Law Society, a associação dos advogados britânicos, diz que o caso não é típico da "cultura de compensação" que é tão forte nos Estados Unidos.

"É uma tentativa de ensinar às pessoas que pisam fora da linha que alguém, algum dia, vai pegá-las", disse Whitehead. "A Lloyds deve levar o caso a sério, mas, do ponto de vista legal, seria muita falta de sorte se essa ação fosse bem sucedida."

Sem comentários

O advogado dos descendentes terá de provar que as vítimas têm o direito de saber sua identidade, que o tráfico foi genocídio e que a Lloyds pode ser responsabilizada por ações passadas.

De acordo com Whitehead, seria difícil provar que, ao segurar os mercadores, a Lloyds estaria apoiando o tráfico. "Seria mais ou menos como dizer que o fabricante de armas facilitou o assassinato", explicou.

Uma porta-voz da Lloyds disse que a empresa ainda não viu os papéis do processo e, portanto, não pode fazer comentários, mas acrescentou que tentativas anteriores de processar a empresa com base no tráfico de escravos fracassaram.

Edward Fagan, o advogado que lidera a ação, forçou empresas suíças a pagar mais de US$ 2 bilhões como parte de um acordo com vítimas do nazismo e também lidera uma ação contra companhias que atuaram na África do Sul durante o regime do apartheid.

 
 
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