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Atualizado às: 04 de junho, 2004 - 14h47 GMT (11h47 Brasília)
 
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Massacre da Praça da Paz Celestial ainda está vivo na memória dos chineses
 
China
Estudante na frente do tanque: uma das imagens mais emblemáticas
Há 15 anos, a Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim, serviu como cenário de grandes manifestações pró-democracia que culmiram com uma forte repressão e a morte de centenas de pessoas.

Os protestos não tinham precedentes na China.

Eles começaram em 15 de abril de 1989 quando o líder reformista Hu Yaobang morreu repentinamente de um ataque do coração em Pequim. A sua morte comoveu os chineses, que ocuparam as ruas de todo o país para protestar contra a corrupção dentro do Partido Comunista chinês e atacar os conservadores.

Apesar de o governo chinês negar até hoje a existência do massacre, as mortes e as imagens dos tanques nas ruas ainda são lembradas em todo o mundo.

Leia abaixo depoimentos de pessoas envolvidas no que ocorreu.

Wuer Kaixi, um dos líderes mais conhecidos, que fugiu da China depois dos protestos e vive hoje no exílio na Tailândia

China
Wuer Kaixi: exílio na Tailândia

"No dia 18 de maio, estava na praça e um colega me chamou, afirmando que o primeiro-ministro falaria conosco.

Estávamos cheio de esperanças quando entramos no Grande Palácio do Povo (sede do governo chinês).

Li Peng (o primeiro-ministro na época) chegou e nos deu a mão. Senti na hora que a reunião não ia terminar bem. Ele disse que estava cinco minutos atrasado porque tinha ficado preso no trânsito por causa das manifestações.

Eu resolvi interrompê-lo: "Desculpe, primeiro-ministro, mas o senhor não se atrasou apenas cinco minutos, está um mês atrasado. Nós queríamos nos reunir com os líderes desde o dia 17 de abril", eu disse.

Acho que o ocorrido foi importante porque um comportamento semelhante nunca tinha existido na China, foi bom que a comunidade internacional tenha acompanhado tudo. Apesar de, no momento, não termos tido a noção exata da importância daquilo.

China
Cartaz pede pela punição dos envolvidos na repressão

Mesmo que nada tenha saído de concreto da reunião, acho que mostramos que povo e governo podem se encontrar de igual para igual e acho que isso trouxe um resultado amplo e transcendental para a China".

Ma Shao-fang foi um dos 21 estudantes perseguidos pelo governo chinês. Passou três anos preso e agora vive em Shenzhen

"Para mim é muito difícil esquecer os eventos. O primeiro aconteceu no dia 3 de junho, quando as luzes da praça foram apagadas à noite.

Estávamos sentados em frente a um monumento quando as luzes se ascenderam e vimos os tanques cercando a praça. Até hoje as memórias estão em minha mente.

Mais tarde, os soldados e os estudantes enfrentaram-se cara a cara. Os soldados, armados até os dentes, nos forçavam a sair da praça.

Logo depois, instalou-se o caos. Os estudantes e outros manifestantes gritavam e cantavam o hino da Internacional Socialista e os soldados, creio que comovidos com a nossa valentia, decidiram se retirar.

Penso que, antes da força bruta, preferimos demonstrar coragem.

Em outro episódio, recordo de um bebê sendo carregado pela mãe, ferido a bala. Não entendi como eu podia ter sido considerado um criminoso.

Não sei como alguns acontecimento tomaram aquele rumo."

Gao Wengian era funcionário do Centro de Investigação de Literatura do Partido Central de Pequim. Testemunhou as manifestações do dia 27 de abril contra o jornal Diário do Povo, que publicou um editorial afirmando que os manifestantes queriam causar desordem.

As ruas ocupadas em 1989
As ruas ao redor da praça também foram ocupadas

"Já sabíamos por fontes bem informadas ligadas à nossa organização que as tropas do governo se preparavam para a ação.

O maior objetivo era impedir que os estudantes deixassem as suas universidades.

Soube que os estudantes ocupavam várias ruas e estradas da cidade e quis ver com os meus próprios olhos.

O cartaz que eles carregavam que mais me impressionou trazia as palavras: "estivemos sentados durante muito tempo e chegou a hora de esticarmos as pernas".

Como estudante de história na China, entendi exatamente o que aquilo significava.

Desde que a nova China foi criada (a China comunista, em 1949) os intelectuais tiveram que sofrer sua desgraça e maltrato em silêncio.

Senti naquele momento que o povo chinês tinha se levantado".

 
 
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